Lágrimas do Rio Doce
Em cada paisagem, cenários de tristeza num rio que já foi considerado um dos locais de maior biodiversidade do mundo. Hoje, além do assoreamento, poluição, seca, destruição de nascentes e derrubada das matas ciliares, vemos o Rio Doce entre o céu e a lama.
O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco, em novembro de 2015, trouxe tragédia e lágrimas às comunidades ribeirinhas e aos rios que correm daquele ponto até o mar.
Na primeira semana da tragédia, em uma expedição do Instituto Últimos Refúgios, percorremos o rio – do Espírito Santo até Minas Gerais – para encontrar a “lama mortífera”. Vimos as belezas da fauna que seriam perdidas. Pelo erro nas previsões da chegada dos rejeitos, chegamos a acreditar que haviam se dissipado. Porém, em Governador Valadares (MG) o verde da vegetação da margem contrasta com o marrom alaranjado que agora tinge o Rio Doce, onde encontramos um cenário desolador, com milhares de peixes morrendo.
Voltamos aos mesmos locais uma semana depois para procurar os animais que havíamos registrado. Encontramos mais morte, incluindo de aves. A água alaranjada chegava ao mar iniciando uma nova etapa do desastre.
A terceira expedição foi um mês após a primeira. Gravamos entrevistas com pessoas que dependem do rio como fonte de água, alimento e renda, elas não sabem o que o futuro trará. Em Regência (ES), na foz do Rio Doce, as tartarugas nascem em uma situação normalmente difícil e agora, com a condição atual do ambiente, essa etapa se tornou ainda mais desafiadora.
Essa tragédia é um reflexo de que seguimos um caminho sem volta em direção a um colapso. Devemos trabalhar em conjunto para continuarmos habitando o planeta. População, governo e empresas precisam entender que a sustentabilidade é o único caminho viável.
Essa é uma das maiores catástrofes ambientais do Brasil. E, por ser fotógrafo de natureza, isso me marcou profundamente. É difícil fotografar com os olhos cheios de lágrimas vendo milhares de vidas e sonhos sendo levadas em função de um desenvolvimento que não se sustenta.
Campanha Lágrimas do Rio Doce
Com o intuito de chamar a atenção para o desastre ambiental ocorrido no Rio Doce e, com isso, criar mecanismos de apoio às vítimas dessa catástrofe, o Instituto Últimos Refúgios está arrecadando fundos, por meio de crowdfunding, a fim de criar um acervo digital com fotografias e vídeos que dê voz a essas vítimas. Você pode contribuir com este nobre projeto acessando: https://www.catarse.me/lagrimas
*Cada visualização deste clipe se transforma em uma doação para um fundo de assistência as famílias ribeirinhas com a finalidade de promover obras sociais comunitárias.
Instituto Últimos Refúgios
O Instituto Últimos Refúgios, organização socioambiental e cultural sem fins lucrativos, atua desde 2006 na difusão e sensibilização ambiental, estimulando o diálogo entre sociedade, outras organizações ambientais, instituições privadas e governamentais. Por meio de livros fotográficos, vídeo-documentários, exposições multimídia e projetos com crianças, convida o público a contemplar as belezas e a conhecer os problemas enfrentados por áreas naturais protegidas ou não. Apesar de capixada a instituição mobiliza, hoje em dia, um grande número de defensores da natureza em todo o território nacional. Por meio do voluntariado, de seguidores em seus canais sociais, ou de projetos realizados, os trabalhos do Instituto Últimos Refúgios repercutem para além das fronteiras do Espírito Santo e do Brasil.
Fonte: National Geographic Brasil
