Fortaleza (CE) registra dados alarmantes de abandono de animais
Em audiência pública realizada nesta sexta-feira (26), na Câmara Municipal de Fortaleza, no Ceará, organizações de proteção aos animais e órgãos públicos debateram as dificuldades em manter os abrigos em funcionamento sem políticas públicas.
A estimativa do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza (CCZ), é que exista 11 mil cães e gatos vivendo em situação de rua. O número representa apenas 5% dos animais que habitam os lares da capital.
A União Protetora dos Animais Carentes (Upac) ressalta a tendência do abandono nos último dois anos. Segundo o presidente da instituição, Gustavo Gonçalves, a crise econômica vem sendo o principal motivo para a desistência da guarda dos animais.”O que estamos percebendo hoje é que muitos tutores estão sem condições financeiras de alimentar ou arcar com despesas médicas”. A Upac possui um abrigo com 400 gatos. Havia um canil, mas por questões financeiras tiveram de fechar o espaço. “Enquanto a gente fazia uma feira e conseguiam adotar 30 cachorros, os gatos eram apenas adotados por três pessoas com muita dificuldade”. A realidade também é presente no Eusébio. Cássia Silvia, membro da organização não governamental (ONG) “Novelo de Lã”, trabalha há 20 anos com animais. Atualmente, cerca de 250 felinos e 8 cães estão divididos em dois espaços.O perfil dos animais nos dois abrigos é o mesmo, sendo 90% de felinos do sexo feminino. Parte deles com mutilações sofridas em acidentes, nas vias municipais, e outros abandonos em parques públicos.Ações
Apesar do alto número de cães e gatos deixados nas ruas, a Prefeitura de Fortaleza aumentou a quantidade de atendimentos aos cães e gatos em situação de rua, bem como a quem não tem condições de arcar com despesas médicas.
A coordenadora do Centro do CCZ, Rosânia Ramalho conta quem há quatro anos atrás o município só realizava 8 mil atendimentos por ano, como testes calazar e demais consultas. Atualmente, os exames chegam a 15 mil animais.
“Temos o conhecimento de uma grande concentração de abandono dos animais no Cemitério da Parangaba, Lar Torres de Melo e o Hospital de Messejana. Estamos acompanhando mensalmente esses espaços públicos”, diz Rosânia.
Ele lembra ainda que a meta de 2017 é realizar 15 castrações por semana e 300 por mês. “O intuito é controlar a população de cães e gatos”.
