Fernando Meirelles: “Cientistas são precisos e confiáveis, mas falam para eles mesmos”
O cineasta Fernando Meirelles diz que a humanidade vai num péssimo caminho e não se dá conta. Ao contrário, estamos acelerando na direção de uma crise causada por problemas ambientais, especialmente os climáticos. Por isso, resolveu dedicar seu trabalho no cinema para comunicar a urgência da situação.
“A melhor maneira de envolver o público é contar histórias. Esquece um pouco as suas estatísticas, deixa seus gráficos de lado”. Ele se exaspera com o preciosismo dos cientistas, pois parecem não perceber que o excesso de sofisticação e números entedia e afasta as pessoas.
“Toda pesquisa científica tem por trás uma história incrível. Ache essa a história e o seu personagem, que o público se interessa”.
O enfoque de Meirelles corre o risco de perder o equilíbrio entre entreter versus informar o público. Ele aceita humanizar os bichos como na animação Madagascar. “Na hora que você faz um lêmure ir numa balada, você não está sendo muito fiel à natureza”. Mas, afirma, isso diverte a audiência enquanto ela aprende que o lêmure existe e precisa de habitat para sobreviver. “É melhor que nada, com rigor científico você não fala nada também. As pessoas não vão sequer saber que existe lêmure”.
O cinema ou a TV não devem substituir a ciência. “O trabalho é difundir a mensagem. Cientificamente, você pode até falhar, mas se você mobilizou pessoas, tá ótimo”, diz. Ele espera que isso mude comportamentos e tire votos de políticos que defendem, por exemplo, acabar como um área protegida. “É isso que precisa”.
Veja a entrevista completa no vídeo abaixo.
