Europa deve expandir proibição de pesticidas nocivos a abelhas, apontam ativistas

Foto: Georges Gobet/AFP/Getty Images

A Europa deve expandir a proibição de pesticidas  que prejudicam as abelhas à luz de um novo relatório alertando sobre os riscos generalizados para a agricultura e o meio ambiente, declarou o Greenpeace.

O relatório feito por biólogos da Universidade de Sussex e encomendado pela organização concluiu que a ameaça representada para as abelhas pelos pesticidas neonicotinoides é maior do que se acreditava em 2013, quando a União Europeia adotou uma proibição parcial dos produtos.

“A nova pesquisa reforça os argumentos para a imposição de uma moratória sobre o uso de três neonicotinóides – clothianidin, imidacloprid e thiamethoxam. Tornou-se evidente que eles representam riscos significativos para muitos organismos, não apenas para abelhas”, concluiu a análise.

Uma revisão global em novembro de 2016 disse cerca de 1,4 bilhão de empregos e três quartos de todas as colheitas dependem de polinizadores, principalmente as abelhas.

Existem cerca de 20 mil espécies de abelhas responsáveis por fertilizar mais de 90% das 107 principais culturas do mundo. Em 2016, as Nações Unidas disseram que 40% dos polinizadores de invertebrados – particularmente abelhas e borboletas – correm o risco de uma extinção global.

As populações de abelhas foram atingidas na Europa, América do Norte e em outros lugares por um misterioso fenômeno chamado “transtorno de colapso na colônia”. Isso foi atribuído aos ácaros, um vírus ou fungo, pesticidas ou a uma combinação desses fatores.

“Esses insetos fundamentais estão em sérios problemas”, escreveu o Greenpeace em um prefácio ao relatório cujos autores disseram envolver a análise de centenas de estudos científicos publicados desde 2013.

“O fato de neonicotinoides contribuírem para a diminuição das abelhas selvagens, agravando os problemas de saúde desses animais é mais forte do que era quando a proibição parcial da UE foi adotada”, disse o co-autor Dave Goulson.

Os neonicotinoides também parecem estar relacionados a declínios de borboletas, aves e insetos aquáticos, disse ele em um comunicado.

“Conforme as evidência de danos ambientais tão generalizados, parece prudente alargar o âmbito da atual restrição europeia”, continuou Goulson.

“A União Europeia leva a proteção das abelhas muito a sério. É exatamente porque sua proteção é uma prioridade que as restrições são, e permanecerão, em vigor até que uma avaliação seja finalizada”, declarou o porta-voz da Comissão Europeia, Enrico Brivio, à AFP.

Os neonicotinoides são pesticidas sintetizados laboratorialmente com base na estrutura química da nicotina. Eles foram introduzidos em meados da década de 1990 como um substituto menos nocivo para os antigos tipos de pesticidas.

Atualmente são amplamente utilizados para tratar as colheitas de flores e são projetados para serem absorvidos pela planta em crescimento. Porém, eles atacam o sistema nervoso de insetos, informou o The Guardian.

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