Escassez de minerais raros pode afetar mercados globais, diz estudo
O desaparecimento dos minerais raros – cruciais para a fabricação dos aparelhos celulares, aparatos eletrônicos e equipe médica – pode afetar o mercado global e tornar-se uma centelha de instabilidade financeira, segundo estudo publicado nesta sexta-feira.
A análise das redes de comércio internacional e de como estas poderiam ser afetaras pela escassez de minerais foi publicada no jornal especializado Science Advances.
“A escassez regional de minerais necessários para a fabricação de tecnologia moderna pode se propagar no sistema comercial, dando lugar a um forte aumento na volatilidade do preço destes minerais no mercado global”, disse o autor autor Peter Klimek, pesquisador da Medical University de Viena, Áustria.
Klimek dirigiu o estudo, que examinou fluxo de 71 matérias-primas minerais em 107 países, em colaboração com o Instituto Internacional para Sistemas de Análises Aplicadas (IIASA, em inglês).
A União Europeia (UE) encara o maior risco de instabilidade, particularmente quando se trata do berílio, utilizado para a manufatura de conectores e interruptores para instrumentos de precisão leves nas indústrias aeroespaciais e de defesa.
“Cerca de 85% da oferta mundial de berílio é extraída dos Estados Unidos, a maior parte do restante provém da China”, agregou.
Também é importante na UE o índio, essencial para a fabricação de telas de cristal líquido. Este mineral é produzido a partir das minas de zinco, por isso sua disponibilidade depende da economia no mercado do zinco, explicou o estudo.
O tálio é um componente-chave para os aparelhos médicos usados nos Estados Unidos. “O fornecimento global de tálio está relativamente limitado pelos Estados Unidos, especialmente porque a China eliminou vários benefícios fiscais na exportação de tálio em 2006”.
Os minerais obtidos como subprodutos de outros processos, como a mineração, são “os mais suscetíveis de uma volatilidade de preços que levem a instabilidades sistêmicas”, apontou o documento.
Os mercados de matérias-primas e os financeiros “são altamente internacionais e interconectados”, disse o IIASA.
“Entender estas redes nos dá um modo de explicar e possivelmente prever uma grande parcela das instabilidades em termos da volatilidade de preços nos mercados”, observou.
