Energia solar, uma fonte limpa e renovável, chega ao campo na Paraíba

Por Alexandre Nunes

A principal fonte de energia do planeta, o sol, agora também alimenta os sonhos de expansão dos projetos de pequenos produtores rurais da Paraíba. É que as famílias agricultoras estão acreditando na redução dos custos de energia elétrica, em suas unidades de produção, com a instalação do sistema de energia solar fotovoltaica.

O assunto tem aparecido constantemente como uma das demandas da agricultura familiar, durante as assembleias do Orçamento Democrático Estadual, e já serviu de inspiração para ações do Governo do Estado que tem como finalidade garantir melhores condições de produção, menos custos, mais lucratividade às famílias agricultoras e incremento na produção agrícola, sem agredir o meio ambiente.

Segundo explica o coordenador da Regional Itabaiana da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB), Paulo Emílio Carneiro de Souza, uma dessas ações é a assistência técnica da Emater que orienta os agricultores na elaboração e encaminhamento de projetos técnicos de financiamento, junto ao Banco do Nordeste, para instalação do sistema de energia solar fotovoltaica. Os recursos são liberados através do Programa de Financiamento à Micro e à Minigeração Distribuída de Energia Elétrica (FNE Sol).

A redução de custos na conta de energia viabiliza o pagamento das parcelas do financiamento, que pode ser amortizado em 10 anos, com mais dois anos de carência e juros de 2% ao ano. Durante o período de carência, o agricultor paga apenas a taxa de serviço da concessionária que, no caso da Paraíba, é a Energisa. A garantia mínima de geração de energia das placas solares é de 25 anos.

“Temos um produtor rural no município de Ingá que pagava uma conta de energia elétrica em torno de R$ 180 mensais e, hoje, com o sistema de energia solar fotovoltaica ele paga apenas R$ 10 reais que é a taxa mínima. Outro produtor do município de Mogeiro também antes tinha um custo mensal entre R$ 130 a R$ 140 na conta de luz e hoje paga também em torno de R$ 10 reais de taxa mínima. Então, a economia nos custos de energia, além de facilitar o pagamento do financiamento, se reveste na expansão dos projetos produtivos”, ressalta.

O sistema é composto por placa solar fotovoltaica, um inversor que transforma energia solar em energia elétrica, jogando na rede, e o medidor que é a própria Energisa quem coloca. O agricultor não tem nenhum custo adicional com medidor. O custo é apenas com as placas e o inversor.

“O medidor é bidirecional e tanto conta o que é consumido de energia elétrica na unidade, como conta o que a unidade produz de energia excedente ao consumo e, no final do mês, a Energisa faz um encontro de contas e apresenta o que foi produzido, o que foi consumido e o que sobrou. Se o usuário produziu mais do que consumiu, o excedente é transformado em bônus, que ele tem cinco anos para gastar como quiser, ou seja, aumentando a produção agrícola ou utilizando essa energia em outra casa que ele tenha com o mesmo CPF, ou ainda comprando mais uma forrageira ou uma bomba maior para irrigação”, detalha Paulo Emílio.

O sol como gerador de riquezas

O Governo do Estado reconhece que a energia solar pode ser geradora de desenvolvimento na Paraíba e adota medidas para sua utilização. Nesse sentido, já em maio de 2016, o governador Ricardo Coutinho assinou um acordo de Cooperação com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e a Gestão Unificada (Emepa/Interpa/Emater), com o objetivo de fortalecer e inserir de maneira sustentável o uso da irrigação utilizando sistemas solares fotovoltaicos na agricultura familiar. O convênio estipulou uma linha de crédito com recursos no valor de R$ 10 milhões por ano. O objetivo era beneficiar cerca de 400 mil pequenos agricultores.

Ainda em 2016, no mês de junho, o governador se reuniu com o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone da Nóbrega, para discutir questões relacionadas ao uso da energia solar para o desenvolvimento de determinados setores e diminuição de custos com energia elétrica. Na ocasião, a Paraíba já contava com 168 megawatts em projetos de usinas solares fotovoltaicas contratados e já tinha 22 projetos de micro e mini geração de energia solar, de acordo com informações do presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, também presente na reunião.

Também em 2016, o governador Ricardo Coutinho sancionou duas leis que fortaleceram ainda mais as políticas de sustentabilidade desenvolvidas no Estado. A Lei de nº 10.718, de 22 de junho de 2016, que dispôs sobre a obrigatoriedade de instalação de sistemas de captação de energia solar na construção de novos prédios, centros comerciais e condomínios residenciais; e a Lei de nº 10.720, também de 22 de junho de 2016, que instituiu a política estadual de incentivo à geração e aproveitamento de energia solar e eólica.

Energia solar: demanda da agricultura familiar na Paraíba

Segundo informa Paulo Emílio, os agricultores pediam constantemente para a Emater levar orientações sobre o processo de aquisição do sistema de energia solar fotovoltaica para o Orçamento Democrático Estadual, já que essa sempre foi uma demanda das famílias agricultoras.

“O pessoal pedia muito e a gente levou para lá, até para incentivar os outros a dizer: olha está funcionando, o pessoal está instalando. Como lá está a plenária, com a participação de muita gente, o pessoal vê. Tanto é que já surgiram vários agricultores vindo procurar a gente e dizendo: rapaz eu também quero, como eu faço? E a gente explica: faça assim, traga a sua conta, procure o escritório da Emater no seu município, que vai viabilizar tudo, orientar. Em suma, todas as unidades da Emater podem viablizar os projetos e o agricultor pode dar entrada em qualquer agência do Banco do Nordeste”, orienta.

Pioneirismo – O projeto pioneiro de energia solar fotovoltaica beneficiando uma família agricultora foi instalado na região polarizada por Itabaiana, especificamente no Sítio Serra Verde, no município de Ingá, distante a 95 quilômetros de João Pessoa. O produtor rural Elias Correia teve uma redução acima de 90% em sua conta de energia elétrica, logo após a instalação do sistema dos painéis fotovoltaicos, graças a um convênio firmado entre o governo do estado e o Banco do Nordeste que disponibiliza uma linha de crédito para os agricultores que recebem toda assistência técnica da Emater. A informação foi repassada pelo coordenador da Regional Itabaiana da Emater, Paulo Emílio.

“Elias foi o primeiro agricultor familiar a instalar a energia solar na Paraíba. Era um desejo grande dele ter essa energia solar em suas terras, que ficam em cima de uma serra lá em Ingá. Ele produz gado de leite, gado de corte e silagem. Elias viabilizou esse projeto, porque ele queria aumentar a produção, furar mais um outro poço lá, botar mais uma forrageira para produzir alimento para o gado dele”, ressalta.

Elias Correia, 34 anos, administra o sítio junto com o seu pai José Cândido e sua mãe. Ele conta que a implantação do sistema de energia solar foi algo muito bom para o seu sítio. “Hoje, não temos mais problemas com conta alta de energia elétrica. É só fazer a poupança e pagar o banco. É energia sobrando para usar quando e como eu quiser, no ar condicionado, na bomba hidráulica, tudo ligado na energia, e é uma energia de qualidade, sem barulho. Caso falte energia na rede elétrica, na minha casa não falta. Coisa de primeiro mundo, ninguém acredita”, afirma.

Elias garante que com a diminuição nos gastos com a energia elétrica, melhorou bastante o custo da sua produção agrícola e dá até para pensar em ampliação de suas atividades. “Crio gado, galinha, porco, tenho roçado, e a energia solar me oferece a possibilidade de crescer, porque sobra meios para investir. Também uso a energia solar para irrigar a plantação de capim, que serve de alimentação para o gado no verão. Antigamente a gente puxava a ração de fora. Hoje a gente deixa a bomba ligada aguando o capim e o alimento do gado está garantido no verão. O sistema de energia solar é uma coisa maravilhosa e que dura de 25 anos em diante. É só pagar em 10 anos e depois continuar usufruindo”, comemora.

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