Em tempos de redes sociais, campanha mostra que enxergar além da aparência pode evitar suicídio
A estreia da série “13 Reasons Why”, do Netflix, reacendeu o debate sobre suicídio no mundo todo. A sequência de 13 episódios conta a história da adolescente Hanna Baker, que, antes de se suicidar, deixa 13 fitas gravadas para os colegas de colégio explicando as razões que a levou a interromper a própria vida. No Brasil, o sucesso da trama fez aumentar 445% o número de e-mails com pedidos de ajuda recebidos pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). No Reino Unido, essa já é a principal causa de morte entre pessoas com menos de 35 anos – só em 2015, foram registrados mais de 1.600 casos.
Por isso, a instituição britânica Papyrus decidiu criar uma campanha de alerta, “Ask about suicide” (pergunte sobre suicídio), que pretende estimular as pessoas a irem mais a fundo em suas relações de amizade, além das trocas virtuais, para evitar de alguma maneira esses casos.

Segundo especialistas da organização, que há 20 anos se dedica a diminuir esses índices, muitas pessoas que enfrentam pensamentos suicidas costumam se esconder atrás de máscaras de coragem, disfarçando o problema. Enquanto isso, parentes e amigos, mesmo quando notam alguma alteração de comportamento, preferem não tocar no assunto por medo de mencionar o suicídio. Mas falar abertamente é o melhor caminho para a solução do quadro, garantem os estudiosos.
“Por trás de uma cara corajosa, alguém pode estar pedindo ajuda”, diz um dos cartazes da ação que começa a viralizar nas redes. “Status na rede social: incrível. Vida real: suicida”, “Dois mil amigos nas redes sociais. Nenhum com quem compartilhar seus sentimentos suicidas”, “Parece que as coisas estão difíceis agora… Você pode me falar mais sobre isso?”.
