Dinossauro do tamanho de um cachorro revela segredos de antigo “continente perdido”

Um dinossauro parente dos Triceratops poderia ajudar a entender a divisão geográfica que afetou a Era Jurássica em seus últimos anos de existência.

Durante o período Cretáceo entre 100 e 66 milhões de anos atrás, o leste da América do Norte era uma ilha dividida por uma grande via fluvial, conhecida como Mar Interior Ocidental. Acreditava-se que tal barreira que dividia o território isolasse espécies, tornando-as diferentes. Porém, enquanto o oeste dos Estados Unidos e do Canadá apresentou grandes registros de fósseis de dinossauros, a região oriental permanece, em grande parte, misteriosa.

Muitas das formações fósseis da “América Oriental” foram destruídas na Era do Gelo, e a densa vegetação interfere no descobrimento de registros dos sobreviventes. A ilha oriental, conhecida como Appalachia, quando os primeiros dinossauros evoluíram, foi apelidada de um “continente perdido”, justamente pela falta de informações sobre sua vida selvagem.

A publicação da mandíbula de um dinossauro com chifres, de Appalachia, feita na Cretaceous Research, pode dar uma ideia das espécies locais. A raridade de ossos de dinossauros Apalaches fez com que o Dr. Nick Longrich, da Universidade de Bath, nos EUA, considerasse até mesmo um pequeno fragmento de um osso da maxila, encontrado na Carolina do Norte, digno de um estudo detalhado. Ele reconheceu o osso como proveniente de um Leptocerátopo, um parente menor do famoso Triceratops. A descoberta marca não só o primeiro Leptocerátopo do estágio final do período Cretáceo conhecido no local, como também o primeiro dinossauro da micro-ordem de dinossauros com chifres comuns, encontrados na Ásia e na América do Norte ocidental, chamados de Ceratopsia.

O Leptocerátopo era vegetariano e tinha o tamanho de um cachorro de grande porte. A forma do maxilar indica que, tal como outros de sua espécie, tinha a boca em formato de bico. No entanto, a mandíbula é mais delgada do que a de espécies semelhantes do oeste do rio, o que sugere que eles não só apresentaram diferenças físicas das espécies do outro lado do rio, como também tinham dietas diferentes.

“Assim como muitos animais e plantas encontradas na Austrália, hoje, são bastante diferentes dos encontrados em outras partes do mundo, parece que os animais na parte oriental da América do Norte, no período Cretáceo Superior, evoluíram de uma forma completamente diferente dos encontrados na parte ocidental do que hoje é a América do Norte, devido a um longo período de isolamento”, disse Longrich, em um comunicado.

A existência do Mar Interior Ocidental foi proposta com base em evidências geológicas, assim como as diferenças entre tiranossauros e hadrossauros de cada lado. No entanto, a evidência tem sido muito desigual para que todas as dúvidas possam ser sanadas.

Longrich disse que a descoberta acrescenta à teoria de que estas duas massas de terra foram separadas por um curso de água, interrompendo a movimentação animal entre eles, fazendo com que os animais de Appalachia evoluíssem em uma direção completamente diferente, resultando em alguns dinossauros de aparências estranhas.

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