Cuidados com a alimentação dos animais nas festas de fim de ano
Pode parecer difícil resistir aos olhares “pidões” de cães e gatos na hora das refeições. Durante a ceia natalina é comum que alguns tutores ofereçam sobras de comidas aos animais, hábito que deve ser evitado considerando que alguns ingredientes utilizados na nossa alimentação são tóxicos para os cães e gatos.
A ingestão desses alimentos pode ocasionar sintomas como insuficiência renal e hepática, vômitos, diarreia, hipoglicemia drástica, convulsões, e obstruções no estômago e no intestino. Algumas substâncias como o xilitol (adoçante presente em doces), por exemplo, podem causar até a morte.
Vilões na alimentação dos animais
No período natalino, um dos principais vilões da alimentação dos animais é o chocolate. O doce contém uma substância chamada teobromina, presente em maior quantidade nos chocolates amargos. Essa substância é altamente tóxica para os animais.
A médica veterinária e especialista em toxologia, Maíra Lima explica que a ingestão da teobromina em pequenas quantidades pode causar sintomas como diarreia e vômitos, que muitas vezes passam despercebidos pelos tutores, mas que em maiores quantidades o consumo do chocolate pode causar sintomas neurológicos como perda da coordenação motora e convulsões.
“O maior vilão na época do natal é o chocolate. Os casos de intoxicação por teobromina aumentam muito nesse período do ano e na páscoa, pois é quando as pessoas consomem mais chocolate. Às vezes alguém deixa o chocolate em uma bolsa aberta e nem percebe que o cachorro comeu”, explica a veterinária.
Outro alimento comum no natal que não pode ser oferecido aos animais são as uvas. A fruta pode causar tanto lesões hepáticas como insuficiência renal grave. Ainda de acordo com a veterinária, a ingestão de seis a sete uvas já é suficiente para causar problemas renais aos cães.
“Não se sabe ao certo quais são as substâncias da uva que causam intoxicações aos animais, mas é um alimento proibido. Tanto a uva como a uva passa podem causar essas reações e como durante o natal muitos alimentos são feitos com uva passa, essa se torna mais uma vilã do período”, afirma Maíra Lima.
Temperos também merecem atenção na alimentação dos animais
No que diz respeito aos temperos, o alimento mais contraindicado pelos veterinários é a cebola. O tempero causa danos aos glóbulos vermelhos e aos rins, assim como anemia.
Entre três e quatro dias após a ingestão, o animal apresenta sintomas como dor no estômago, fraqueza e sangue na urina. Os efeitos da ingestão de cebola são cumulativos, ou seja, caso ingerido em pequenas quantidades pode não ser responsável por nenhum sintoma em um primeiro momento, mas ser prejudicial ao longo das próximas refeições.
Outros alimentos que não devem ser oferecidos aos animais são açúcares, doces, espiga de milho, café e chá, por exemplo. Além de frutas como abacate, uva, laranja, kiwi, morango, abacaxi, caju e tangerina.
Algumas frutas como banana, melancia, melão e maçã podem ser oferecidas aos animais desde que os tutores fiquem atentos as sementes. A recomendação é de que os tutores procurem um veterinário para elaborar uma dieta balanceada para os animais ou tirar dúvidas sobre o consumo de determinadas substâncias.
Ração ou alimentação natural para animais?
Substituir a ração não significa oferecer resto de panela. O alimento precisa ser preparado exclusivamente para o cão ou gato já que alguns ingredientes utilizados na nossa alimentação podem ser tóxicos para os animais. Para temperar os alimentos oferecidos aos cães ou gatos, os tutores podem utilizar temperos frescos, como manjericão, orégano e açafrão, entre outros.
Os petiscos industrializados também podem ser substituídos por frutas e legumes como melancia, melão, pera e pepino, por exemplo.
A nutróloga Ana Gabriela Cordeiro é especialista em alimentação natural. Entretanto, defende que o processo de transição precisa ser acompanhando por um profissional, evitando que o animal tenha problemas futuros devido a falta de vitaminas. “A melhor forma de balancear [a alimentação do seu animal] é procurar um veterinário nutrólogo que irá indicar a melhor suplementação para o animal”, ressalta.
Ana Gabriela afirma ainda que a transição de uma alimentação baseada em rações industrializadas para alimentos naturais depende muito da disponibilidade do tutor para acompanhar o processo e preparar a comida do seu cão ou gato.
Sua opinião é corroborada pela veterinária Maíra Lima, que ressalta que a alimentação natural é de fato uma escolha mais saudável.
“É uma excelente opção, mas tudo vai depender de como o tutor vai auxiliar nesse tratamento. Se ele puder garantir que vai preparar os alimentos de acordo com a dieta é ótimo, mas senão a ração é o mais indicado. Hoje em dia existem rações que são excelentes e proporcionam uma alimentação balanceada para o animal de forma mais prática para o tutor”, defende a veterinária.
Uma alternativa para equilibrar a falta de tempo dos tutores a uma alimentação saudável é substituir petiscos industrializados por frutas e legumes, por exemplo. Caso opte por oferecer ração, o tutor pode ficar atento ao rótulo e buscar uma opção com ingredientes naturais, evitando produtos transgênicos ou corantes artificiais.
No que diz respeito aos casos de intoxicação alimentar, os cachorros são os que mais sofrem com o problema. Isso acontece porque gatos são naturalmente mais seletivos com relação ao próprio alimento.
Caso o tutor identifique alguns sintomas de intoxicação como diarreia, vômito e desidratação o recomendado é que o animal seja levado ao veterinário que deve propor um tratamento de acordo com a substância consumida.
Os hábitos dos animais são geralmente um reflexo de seus tutores. Para além do período natalino é fundamental que os tutores fiquem atentos a alimentação oferecida aos seus animais e combinem uma alimentação balanceada a prática de exercícios físicos.
Os benefícios da mudança para uma alimentação natural começam pelo fato de que o tutor pode escolher os ingredientes que o seu melhor amigo consome. No caso das rações produzidas industrialmente, apesar dos componentes serem identificados no rótulo, nem sempre o consumidor conhece o que está descrito.
Além de poder escolher os elementos e prepará-los com mais sabor, a alimentação natural está relacionada a melhoras no pelo, diminuição no odor das fezes e mais energia para os animais.
Existem ainda estudos recentes que comprovam que grande parte das rações utilizam conservantes BHA e BHT em sua composição. Essas substâncias são classificadas como cancerígenas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, que está associada a Organização Mundial de Saúde.
