Conheça o antigo golfinho de água doce que preferia viver no mar
Cientistas descobriram fósseis de uma antiga espécie de golfinho de água doce (conhecido no Brasil como boto) que vivia nos oceanos. De acordo com os cientistas, o animal que viveu há 5,8 milhões de anos é o parente mais próximo do boto-cor-de-rosa amazônico e pode ajudar a compreender a transição desses animais do oceano para os rios. A descoberta foi publicada no início de setembro no periódico científico PeerJ.
Os pesquisadores do Instituto Smithsonian, nos Estados Unidos, encontraram o crânio, a mandíbula inferior (com quase todos os dentes), a omoplata direita e pequenos ossos do animal na costa de Piña, no Panamá. Batizado de Isthminia panamensis, a nova espécie, diferente da maioria dos golfinhos de água doce conhecidos até agora, tem quase três metros de comprimento e vivia nos mares.
Há cerca de 50 milhões de anos, baleias e golfinhos evoluíram de ancestrais terrestres e migraram para os oceanos. No entanto, milhões de anos depois, os golfinhos desenvolveram membro bastante flexíveis e nadadeiras semelhantes a remos para escapar dos oceanos superpopulosos e sobreviverem nos rios.
“Até hoje, os registros fósseis de golfinhos de água doce não havia revelado muito sobre seu passado marinho. O I. panamensis nos dá agora uma fronteira geológica precisa para compreender como essa linhagem invadiu a Amazônia”, afirmou o biólogo Nicholas Pyenson, um dos autores do estudo.
Atualmente, existem apenas quatro espécies de golfinhos do rio: todas correm risco de extinção. De acordo com os cientistas, compreender como se deu a evolução do animal pode ajudar a proteger as espécies e salvá-las do desaparecimento.
Animais fofos da fauna brasileira que podem desaparecer

Tartaruga-verde (‘Chelonia mydas’)
Essa tartaruga, que chega a ter 1,5 metro de comprimento, vive nas zonas costeiras do Brasil, do Rio de Janeiro até as praias da região Nordeste. A espécie está na lista de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) desde 1996 e, no Brasil, entrou para o relatório do Ministério do Meio-Ambiente em 2003. Ela habita o Nordete do Brasil e, no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, há apenas 17 fêmeas e os estudos indicam uma diminuição de 48% a 67% no número de fêmeas que se reproduzem nos últimos anos. Os principais riscos à espécie são, além da caça, a captura acidental dos ovos em redes de pesca e a poluição dos mares, que impede sua reprodução. No Brasil, o Tamar, projeto de conservação internacionalmente reconhecido, têm contribuído para a manutenção da espécie.

Boto-cor-de-rosa (‘Inia geoffrensis’)
Maior golfinho de água doce do mundo, com o macho que pode medir até 2,5 metros de comprimento, o boto-cor-de-rosa era abundante nos rios da Bacia Amazônica. Sua população começou a diminuir nos anos 1990 por causa da mortalidade acidental, decorrente da pesca e da poluição dos rios. Nos anos 2000, começou a ser caçado para servir de isca ao peixe piracatinga, muito apreciado na região, e a população tende a diminuir ainda por causa das secas e da construção de hidrelétricas no Amazonas, que afetam o habitat do animal e reduzem sua alimentação. Estima-se que sua população pode diminuir em 50% nos próximos 30 anos, o que levou à classificação de espécie em perigo na lista do Ministério do Meio Ambiente.

Lobo-guará (‘Chrysocyon brachyurus’)
A população desse lobo, que habita o cerrado brasileiro, tem diminuído desde a década de 1980, devido ao desmatamento da região central e sul do Brasil. De acordo com os pesquisadores, nos próximos 21 anos, a espécie deve diminuir quase 30%. O lobo-guará tem longas pernas, orelhas grandes e pelagem avermelhada e chega a ter pouco mais de 1 metro de comprimento, fora a cauda que tem entre 38 e 50 centímetros. É classificado como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) desde 1982 e está na lista de espécies em perigo para o Ministério do Meio Ambiente.

Ararinha-azul (‘Cyanopsitta spixii’)
A história da ararinha-azul no Brasil é trágica. Conhecidas há 150 anos, existiam apenas três exemplares em 1986 – que não se reproduziram. Desde outubro de 2000, ninguém mais encontrou nenhuma ararinha-azul na natureza, apesar de terem sido percorridos mais de 55.000 quilômetros desde 1990 em busca dos pássaros. O que provavelmente levou à extinção da ave de pouco mais de 55 centímetros de comprimento e plumagem em vários tons de azul foi o tráfico de animais e a degradação de seu ambiente, no sertão da Bahia e Pernambuco. É considerada extinta na natureza pelo Ministério do Meio Ambiente e a IUCN.

Tatu-bola (‘Tolypeutes tricinctus’)
Mascote da Copa deste ano no Brasil, o tatu-bola foi classificado como espécie em perigo em 1994 pela IUCN. É animal nativo do Norte e Nordeste brasileiro. Devido à caça e à diminuição de 45% da caatinga entre os anos de 1965 e 1985, sua população caiu pela metade. A principal característica desse bicho, que gosta de cavar buracos e tem um tamanho médio de 36 centímetros de comprimento, é se enrolar completamente dentro da carapaça e virar uma bola para fugir dos predadores.

Mico-leão-dourado (‘Leontopithecus rosalia’)
O declínio da população do mico-leão-dourado se deve ao desmatamento de seu habitat, na Mata Atlântica fluminense. Acredita-se que, dos 6.000 quilômetros quadrados, restem apenas 500 quilômetros quadrados para a espécie habitar. Devido aos esforços de conservação, o número de animais, que exibe a pelagem ruiva e dourada e tem pouco mais de 26 centímetros de comprimento, aumentou nos últimos anos e deixou de estar criticamente em perigo em 2003.

Tamanduá-bandeira (‘Myrmecophaga tridactyla’)
Estima-se que, nos últimos 26 anos, pelo menos 30% da população de tamanduás-bandeira tenha desaparecido no Brasil. A espécie, que se alimenta de formigas e pode ultrapassar os 2 metros de comprimento, vive em quase toda a América do Sul. Por causa do desmatamento das florestas da região, é considerada uma espécie vulnerável desde 1982 pela lista da IUCN.

Baleia-azul (‘Balaenoptera musculus’)
Calcula-se que menos de 1% dos animais tenha resistido à caça comercial, que começou em 1904. A baleia-azul é tida como espécie em perigo desde 1986 pela IUCN e, no Brasil, recebeu a classificação de criticamente em perigo. Com até 30 metros de comprimento e 180 toneladas, ela habita todos os oceanos da Terra. De acordo com um relatório de 2002, apenas 5 000 a 12 000 dessas baleias devem ainda existir no mundo.

Onça-pintada (‘Panthera onca’)
Apesar de viver em quase todo o Brasil, os pesquisadores estimam que existem menos de 10 000 onças pintadas em todo o país. As principais ameaças à espécie são a perda do habitat, relacionada à expansão agrícola e urbanização, e a caça. Nos últimos 27 anos, sua população diminuiu em 30% e um decréscimo semelhante deve ocorrer nos próximos 27 anos. O animal, que chega a cerca de 1,50 metro de comprimento da ponta do focinho à cauda, é classificado como vulnerável pela lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente.

Arara-azul-de-lear (‘Anodorhynchus leari’)
Os pesquisadores que existam apenas 228 indivíduos desse tipo de arara que, no Brasil, habita o nordeste da Bahia. A principal ameaça à espécie é o tráfico de animais silvestres e a diminuição do seu habitat. No entanto, iniciativas de conservação locais estão conseguindo aumentar o número de araras na natureza. É considerada uma espécie em perigo pelo Ministério do Meio Ambiente e pela IUCN.
