Compostagem ou aterro sanitário: qual o destino mais indicado para os seus resíduos orgânicos
O que fazer com todos os resíduos orgânicos gerados pela indústria e a agroindústria? Para atender a demanda atual de consumo, as empresas encontram-se em uma difícil posição: precisam encontrar uma maneira de atender a legislação ambiental, tratando in loco ou destinando seus resíduos para uma alternativa adequada.
Há pouco tempo, lugares como aterros sanitários eram os principais destinos dos resíduos sólidos, mas com a evolução da legislação e da tecnologia nesse setor, hoje, há outras opções para o descarte de resíduos como a compostagem.
Aterro Sanitário
Empresas geradoras de resíduos orgânicos industriais e agroindustriais podem realizar o descarte em aterro sanitário ou enviá-los para compostagem. A opção mais utilizada no Brasil é a destinação para aterros sanitários, que é considerada uma solução prática e com um custo operacional relativamente baixo.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e determina que todos os lixões do país deveriam deveriam ser extintos até 2 de agosto de 2014 e o rejeito (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado) encaminhado para aterros sanitários adequado, porém o Projeto de Lei 2289/2015, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, dá prazo até 31 de julho de 2018, para capitais e regiões metropolitanas se adequarem; até 31 de julho de 2019, para municípios com população superior a 100 mil habitantes; até 31 de julho de 2020, para municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes e até 31 de julho de 2021, para aqueles com população inferior a 50 mil habitantes.
Um ponto a ser lembrado é que resíduos orgânicos que não se enquadram na definição de rejeito e que seguem para o aterro sanitário deixam de ser reaproveitados, desperdiçando chances de transformação desses resíduos em produtos que agregam valor para outros segmentos, como o fertilizante orgânico para a agricultura, gerado a partir do processo de tratamento de compostagem.
Compostagem

A compostagem é uma alternativa ambientalmente correta, segura e definitiva, que contribui diretamente para a redução dos passivos ambientais e atende à PNRS. Ao optar por essa destinação, o gerador deixa de ser corresponsável pelo resíduo, pois nesse processo há a transformação das características do material destinado para tratamento em um produto rico em nutrientes.
Nessa alternativa ocorre o processo de transformação de matéria orgânica, encontrada nos resíduos orgânicos, em fertilizante orgânico composto. É considerada por especialistas uma ótima opção tanto para o meio ambiente, quanto para a agricultura já que trata-se de produto com altas concentrações de matéria orgânica, nitrogênio, potássio, fósforo, micronutrientes, melhorando as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo e, consequentemente o aumento da produtividade onde é aplicado.
O envio de resíduos para uma empresa especializadas permite à empresa geradora adequação legal quanto ao descarte desse tipo de material, bem como o cumprimento das metas de reciclagem estipuladas. Essas metas além de permitir a construção de uma imagem confiável e ambientalmente responsável perante o público, evita que empréstimos bancários sejam barrados ou bloqueados, podendo afetar significativamente os planos futuros da empresa.
Uma alternativa válida é a realização de parcerias com empresas que ofereçam estrutura completa para receber e tratar adequadamente os resíduos orgânicos.
Entre os principais benefícios desta parceria estão:
- Atendimento à legislação
Ressaltando o que falamos acima, atender a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é essencial para evitar multas e punições por parte dos órgãos governamentais como o IBAMA e Ministério Público.
- Redução da estrutura física
Ao destinar seus resíduos para uma empresa especializada em compostagem, o investimento em infraestrutura não se faz necessário, permitindo que você tenha apenas um gasto fixo com a destinação dos resíduos e transfira a responsabilidade de realizar a compostagem para terceiros.
- Construção de uma imagem sustentável
Nenhuma empresa deseja ter sua imagem associada a um desastre natural ou denúncia de poluição, pois sabe que as consequências vão além das multas e punições legais (que já são ruins). Casos como o rompimento da barragem de Mariana (MG) e o derramamento de óleo no Golfo do México na plataforma DeepWater Horizon (EUA) demonstram como a imagem pode ficar gravemente marcada pela sociedade e pela comunidade ambiental, sendo muito difícil reaver a confiança deles.
É importante ressaltar que para o recebimento na compostagem, o processo de segregação deve ser eficiente no local de geração, uma vez que lixo comum e embalagens não devem ser enviados para essa destinação, pois devem passar por separação e tratamento alternativo.
Em nosso dia-a-dia, percebemos que o tema ainda gera dúvidas relevantes sobre a diferença entre o aterro sanitário e a compostagem. O fato é que esse assunto envolve mais do que apenas o argumento ambiental, as empresas devem estar atentas às determinações legais e econômicas que o não tratamento e destinação corretos dos resíduos provocam.
Entenda abaixo as características de cada um:

Diante desses fatos fica claro que a gestão de resíduos orgânicos é uma atividade que deve ser incorporada ao dia a dia de empresas, independentemente de seu tamanho ou setor. Atender as leis e normas ambientais deixou de ser um diferencial. Hoje, ela é financeiramente, juridicamente e comercialmente importante para uma empresa que deseja se destacar no mercado.
