Como saber se você precisa parar de ingerir glúten?
Conheça os distúrbios associados à ingestão de glúten e dicas para evitar essa proteína em sua dieta

O glúten, nos últimos anos, tem causado grande polêmica e os adeptos da dieta sem glúten crescem cada vez mais. Ele é uma proteína presente em cereais como o trigo, o centeio, a aveia e a cevada. A elasticidade de alimentos, como a que existe no querido pãozinho, é conferida por ele, garantindo que o produto cresça e fique macio (saiba mais sobre o glúten aqui.)
Mas será que você precisa adotar uma dieta conhecida como gluten-free? A popularidade dessa dieta se iniciou com a publicação de diversos estudos que relacionam a ingestão da proteína com alergia, dermatite, prisão de ventre, aumento de peso, etc. E é só falar que uma dieta emagrece para ganhar milhões de adeptos, não é mesmo?
Entendendo melhor as intolerâncias ao glúten
A doença celíaca é uma patologia autoimune (ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano) congênita que causa danos ao intestino delgado quando o indivíduo ingere glúten. Em média, uma a cada 133 pessoas possui a doença, ou 0,75% das pessoas. Como o glúten pode estar escondido em muitos alimentos inesperados, a legislação obriga que os fabricantes incluam essa informação no rótulo para proteger os portadores da doença. Mas essa informação estar presente no rótulo não significa que você está ingerindo um veneno como no caso da gordura trans (saiba mais aqui).
Contudo, algumas pessoas que não foram diagnosticadas com doença celíaca também podem ser beneficiados por uma dieta sem glúten. Qual a explicação para isso? Existem outros distúrbios relacionados com a ingestão de glúten, como a intolerância ao trigo e os distúrbios não celíacos ao glúten.

Em média 0,4% das pessoas apresentam alergia ao trigo e são diagnosticadas por médicos. O trigo contém glúten, por esse motivo, ao cortar o glúten de sua dieta, a pessoa pode perceber os benefícios. Os sintomas de alergia ao trigo podem ser dermatológicos, respiratórios e gastrointestinais.
Ainda existe a sensibilidade não celíaca ao glúten. Isso ocorre quando, apesar de não possuir os distúrbios citados acima, a pessoa apresenta dores no abdômen ou nas juntas, erupções na pele, fadiga e confusão mental ao ingerir glúten. Uma dieta sem glúten normalmente elimina esses sintomas. A sensibilidade não celíaca ao glúten pode ser ocasionada por diversos motivos diferentes e o diagnóstico se dá pela observação e exclusão dos diagnósticos de doença celíaca ou de alergia ao trigo. Não existe exame específico para determinar essa sensibilidade – ela pode ser causada por uma alergia a frutanos, que são açúcares presentes no trigo em outros alimentos, por uma ativação do sistema imunológico, ou até mesmo pelo efeito nocebo (o oposto do efeito placebo) – nesse caso, a pessoa acredita que o glúten terá consequências negativas em seu organismo e por esse motivo acaba apresentando-os.
Confira no vídeo (com legendas) uma aula do TED-Ed sobre glúten e as diferentes formas de intolerância
Autoconhecimento é essencial para uma vida equilibrada, portanto, observar as reações de seu corpo é fundamental. Confira algumas dicas que podem indicar a presença de alguns desses problemas. Lembrando que é essencial apresentar suas experiências pessoais a um profissional para um diagnóstico adequado e conhecer as alternativas nutricionais para não prejudicar sua saúde.
- Problemas digestivos, como gases, diarréia e até mesmo prisão de ventre;
- Queratose pilar, também conhecida como “pele de galinha”, que consiste em pequenas bolinhas vermelhas que normalmente aparecem na parte traseira de seus braços;
- Fadiga, confusão mental ou cansaço após comer uma refeição que contenha glúten;
- O diagnóstico de outra doença autoimune, como tiroidite de Hashimoto, artrite reumatóide, colite ulcerativa, lúpus, psoríase, esclerodermia ou esclerose múltipla;
- Tonturas ou sensação de estar fora de equilíbrio;
- Desequilíbrios hormonais, tais como TPM e síndrome do ovário policístico;
- Dores de cabeça e enxaqueca;
- Diagnóstico de fadiga crônica ou fibromialgia;
- Inflamação, inchaço ou dor nas articulações, como dedos, joelhos ou quadris;
- Problemas de humor, como ansiedade, depressão e alterações de humor;
Se você já excluiu a possibilidade de doença celíaca ou alergia ao glúten com seu médico, e mesmo assim considerar que apresenta sintomas negativos, converse com seu nutricionista sobre a possibilidade de fazer um período de testes para identificar uma sensibilidade não celíaca. Uma boa opção para verificar a sensibilidade é fazer um período de testes com uma dieta sem glúten e após isso reintroduzi-lo. Você pode ficar um mês sem ingerir glúten e observar os efeitos.
Mas como a proteína leva tempo para ser eliminada de seu organismo, é bom você ficar um tempo considerável sem ingeri-lo até reintroduzir-lo. Mantenha um diário de sintomas durante a dieta, anotando todas as mudanças ao longo do período, e relate-os novamente para seu médico, conversando sobre possibilidades de adaptação na dieta de forma permanente, se houver necessidade.
Confira algumas dicas para evitar a ingestão de glúten
Reduzir o consumo de glúten, de trigo (de modo mais geral) e de alimentos processados pode ser benéfica para a saúde se realizada de forma equilibrada. Pessoas que possuem disfunções graves decorrentes da ingestão de glúten devem procurar um nutricionista especializado em doença celíaca. O profissional saberá indicar a melhor dieta de acordo com suas necessidades. Mas se você está em fase de testes, as dicas a seguir podem ser muito úteis:
Sempre verifique os rótulos
Alguns alimentos aparentemente inofensivos, como hambúrgueres vegetais ou molhos de salada podem conter glúten. Ele também pode estar oculto em alguns suplementos ou medicamentos. O café, normalmente, não possui glúten, mas em alguns casos o pó está misturado com cevada em pó (cereal que apresenta a proteína). Alguns tipos de requeijão ou de queijos cremosos apresentam farinha de trigo na composição para a obtenção da consistência. Alcaçuz é um doce feito com farinha de trigo – outros doces podem conter trigo ou cevada.
Bebidas também podem conter glúten
Quem adora uma cervejinha ficará chateado em saber que a versão comum da bebida possui glúten. Contudo, existem opções gluten-free do produto no mercado e bebidas como o vinho e o saquê são naturalmente isentos da proteína. O Laboratório de Cereais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) analisou amostras de dez marcas de bebidas destiladas, confira aqui a lista das bebidas sem glúten.
Muitos alimentos saudáveis e deliciosos são naturalmente sem glúten
Feijões, sementes e nozes em sua forma natural, ovos frescos, carnes frescas, peixes e aves (não à milanesa, massa revestida ou marinados), frutas e vegetais e a maioria dos produtos lácteos. Vinagres destilados também não apresentam glúten.
Faça substituições
O simples fato de ser um grão não significa que contenha glúten. Há muitas opções possíveis: arroz sob todas as formas (branco, negro, selvagem, basmati, etc.), soja, milho, trigo-sarraceno e quinoa. A farinha de trigo pode ser substituída por farinha de arroz, fécula de batata, polvilho de mandioca, farinha de abóbora, tapioca, farinha de soja, etc.
Leve lanches de casa
Quando você precisar comer fora de casa e não tiver certeza que encontrará um restaurante com refeições sem glúten, leve seu próprio alimento. Não vale passar fome, né? Então se prepare.
Leve um prato sem glúten em eventos sociais
Em eventos ou reuniões na casa de alguém você não pode garantir que a comida servida conte com opções sem glúten. Por esse motivo, é delicado levar algum prato sem glúten para ser compartilhado ou perguntar com antecedência sobre o cardápio. Assim você evita constrangimentos.
Receba em sua casa
Uma preocupação na cabeça de quem adere à uma dieta sem glúten é não ser considerado o chato da ocasião, aquele que não come nada. Uma ótima maneira de controlar os alimentos que ingere e se manter social é organizar alguns dos seus encontros de amigos. Prepare um menu com receitas sem glúten e peça às pessoas que levem uma bebida de sua escolha. Assim as pessoas provam coisas novas e você pode comer tudo sem se preocupar.
Retirar o glúten da dieta é saudável?

Retirar o glúten de sua alimentação de forma equilibrada pode trazer benefícios. Eliminar carboidratos refinados, macarrão e bolachas e comer menos alimentos processados reduz automaticamente os carboidratos em excesso. Contudo, substituir produtos que contém glúten pelos equivalentes sem glúten provavelmente irá adicionais mais açúcar e gorduras em sua dieta. Isso significa mais calorias, e consequentemente mais peso. A existência de cada vez mais produtos sem glúten é essencial para propiciar uma vida mais confortável para as pessoas que possuem intolerância. Contudo, se você não apresentar reações negativas à ingestão de glúten, não pense que deve consumir esses produtos por serem mais saudáveis.
Fonte: Equipe Ecycle – TED e Mind Body Green
