Como reduzir em 80% o desmatamento nos assentamentos da Amazônia

Em 2015, ÉPOCA publicou uma reportagem especial sobre a difícil situação dos assentamentos de reforma agrária na Amazônia. O texto mostrou que, assentados no meio da floresta, muitas vezes os produtores eram obrigados a desmatar para sobreviver – sem falar nas inúmeras dificuldades que eles enfrentam, como falta de escolas, postos de saúde e infraestrutura básica. Mas a reportagem também mostrou que há esperança e visitou um projeto de assentamento sustentável.

Nesta quarta-feira (26), o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) apresentou os resultados do Projeto Assentamentos Sustentáveis. Os números mostram que, com assistência técnica e ajuda para que os produtores possam acessar o mercado, é possível reduzir drasticamente o desmatamento provocado por assentamentos, além de melhorar a economia local.

Em cinco anos, o projeto beneficiou 2.700 famílias e regularizou 100.000 hectares de áreas produtivas. Nas áreas de influência do projeto, o desmatamento caiu, ao contrário do que aconteceu no entorno. Segundo esse cálculo, o projeto reduziu o desmatamento em 79% na comparação com a média histórica da região.

Esses resultados foram conquistados graças a uma ideia simples: de que melhorar a eficiência na produção do pequeno agricultor fará com que ele não precise desmatar a floresta. O projeto atuou em duas frentes. Primeiro, ajudou na produção, trazendo assistência técnica e tecnologia para que o agricultor familiar pudesse produzir com eficiência. Depois, atuou na distribuição, ensinando os caminhos para que ele consiga vender a produção e lucrar com isso.

“Organizando a produção, dando tecnologia, assistência e financiamento para aquelas famílias, elas conseguiram aumentar em muito a produtividade. Investindo também na outra ponta do processo, no acesso desses produtos ao mercado, conseguimos medir uma redução do desmatamento e o aumento da renda das famílias”, diz Osvaldo Stella, coordenador do projeto e diretor do Ipam.

O desafio, agora, é dar escala a essa fórmula. O Ipam atuou numa escala pequena, mas há centenas de milhares de famílias sem assistência. Desenvolver políticas para essas famílias trará resultados consistentes em nossa economia e na produção de alimento e, de quebra, ajudará a manter a floresta em pé.

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