- nos trópicos
- em áreas continentais do interior em latitudes médias
- do lado protegido de cordilheiras
- ao longo de áreas costeiras
Como funcionam os desertos
Deserto é uma região árida com pouca ou nenhuma vegetação. A palavra vem do termo latino “desertu” que significa desabitado, abandonando, solitário. Ainda que os desertos pareçam inabitados, algumas espécies de plantas e animais se adaptaram às suas ásperas condições. Pessoas também vivem no deserto, ou perto dele – tradicionalmente como nômades ou moradores de oásis. No século 20, a ocupação permanente de alguns desertos aumentou, em grande parte devido à melhora nos meios de obtenção de água e a invenções como o ar condicionado.
No geral, o termo “deserto” se refere a áreas que, além de serem extremamente secas, têm elevadas temperaturas diurnas, em especial no verão. Muitos cientistas também consideram que as regiões polares sejam desertos, por serem áridas e sustentarem pouca ou nenhuma vegetação.
No entanto, a discussão desse artigo gira em torno de desertos em seu sentido mais usual.
Os desertos ocupam entre 15% e 20% da superfície do planeta. Normamente recebem menos de 250 milímetros de chuva ao ano. A precipitação, em geral chuvosa, tende a se concentrar em algumas poucas e intensas tempestades de curta duração. Os desertos muitas vezes são delimitados por regiões semi-áridas.
Tipos de desertos
Ainda que a maioria dos cientistas que estudam desertos concordem que existem diversos tipos deles, eles não são unânimes sobre uma forma de classificação desses tipos. Alguns cientistas classificam os desertos de acordo com o volume anual de precipitação de chuva. Outros os classificam pelo tipo de vegetação e terra presentes. Ainda há alguns que os classificam pelas temperaturas médias de verão e de inverno. Em sentido geral, os desertos podem ser categorizados por sua localização.
Onde desertos são encontrados
De maneira geral, os desertos do mundo são encontrados em quatro áreas:
A maioria dos grandes desertos do planeta fica em regiões subtropicais. Os desertos subtropicais se centralizam nos trópicos de Câncer e de Capricórnio. A aridez dessas áreas se deve principalmente à circulação geral do ar na Terra. Áreas subtropicais apresentam pressão atmosférica consistentemente elevada, devido a correntes de ar descendentes, e são varridas por ventos quentes e secos. Essas condições impedem que ventos úmidos penetrem as regiões e evitam a formação de nuvens.
A ausência de cobertura nebulosa é, em grande parte, responsável pelas altas temperaturas nos desertos subtropicais. Sem a proteção das nuvens, a terra recebe de maneira mais intensa o efeito aquecedor dos raios solares. Ainda que as temperaturas sejam relativamente elevadas ao longo de todo o ano, no verão o calor é extremo. As temperaturas diurnas de verão muitas vezes ultrapassam os 38 graus e ocasionalmente sobem até os 49. A temperatura mais elevada já registrada na Terra, 58 graus, aconteceu no deserto da Líbia, no norte da África. À noite, porém, sem nuvens que forneçam isolamento, o calor do dia se dissipa rapidamente e as temperaturas caem de forma abrupta. As temperaturas noturnas médias ficam em torno dos 21 graus no verão e podem cair abaixo de zero no inverno.
O maior deserto do mundo é o Saara, um deserto subtropical, com área de 9 milhões de km2, na África. Os desertos continentais interiores de latitudes médias incluem os vastos desertos de Gobi e Taklimakan, no centro da Ásia. A baixa precipitação que atinge os desertos de latitude média se deve principalmente à sua localização no interior de continentes. O ar que penetra essas áreas em geral é extremamente seco e uma possível umidade é liberada antes que ele chegue ao interior. Esses desertos também apresentam baixa presença de nuvens ao longo de quase todo o ano. As temperaturas diurnas podem chegar a ponto semelhante às dos desertos subtropicais, no verão, mas as temperaturas de inverno são consideravelmente mais baixas. É comum que as temperaturas diárias médias caiam abaixo do ponto de congelamento, no inverno.
Os desertos encontrados do lado protegido de cordilheiras incluem os desertos do sudoeste dos Estados Unidos. As cadeias de montanhas agem como barreiras aos ventos que conduzem umidade. As nuvens liberam umidade no lado exposto ao vento das montanhas e permitem que o ar seco passe para o lado protegido. O fenômeno é conhecido como efeito sombra de chuva.
A presença de água costeira fria também pode contribuir para a criação de um deserto na costa adjacente. Isso acontece porque as correntes frias do oceano tendem a estabilizar o ar sobre a costa e inibir a formação de nuvens. Os grandes desertos costeiros são o Atacama, no Chile, e o deserto da Namíbia, na África.
Formas terrestres dos desertos
Os desertos exibem grande variedade de traços paisagísticos. As dunas de areia, a formação mais associada aos desertos, ocorrem em apenas uma pequena porção dos desertos mundiais. Alguns desertos, porém, oferecem vastas regiões de dunas, conhecidas como mares de areia ou ergs. Superfícies de rocha nua, conhecidas como yardangs, existem em muitos desertos. Elas ocorrem onde vento e água removem as partículas de superfície e deixam a rocha subjacente exposta. Normalmente, as áreas planas são cobertas por aquilo que conhecemos como um pavimento desértico, uma camada fortemente compactada de rocha e cascalho. Em alguns lugares, especialmente no sopé das montanhas, existem grandes depósitos de cascalho e de outros detritos ásperos, muitas vezes em grande profundidade.
Em muitos desertos, inundações repentinas podem formar rios temporários que formam vales de encostas íngremes conhecidos como arroios ou wadis. Nas terras áridas, também são comuns gargantas profundas e regiões de solo difícil.
A água transportada pelas inundações repentinas ocasionalmente se acumula em depressões rasas no solo do deserto, conhecidas como playas. Os lagos das playas geralmente desaparecem com rapidez, deixando para trás areia e sedimentos na forma de minerais dissolvidos, que podem formar planícies salgadas. Ainda que a maioria dos rios e lagos sejam intermitentes, pode haver presença permanente de água – como o Grande Lago Salgado, do Utah, ou o Mar Morto, entre Israel e a Jordânia.
Vegetação e fauna
As plantas e animais do deserto desenvolvem meios especiais de sobrevivência, em seu clima árido. Algumas plantas apresentam sistemas extensos de raízes que mergulham profundamente na terra para recolher água do lençol freático ou se espalham por ampla área, perto da superfície, a fim de absorver a umidade superficial. Muitas plantas de deserto apresentam folhas enceradas ou com aparência de couro, isso limita a perda de umidade. Outras, como os cactos, retêm água em suas raízes e caules. Certas plantas só aparecem depois de chuvas intensas, passam por todo o seu ciclo de vida e deixam sementes que só germinarão depois da próxima chuva forte.
Muitos animais desenvolveram formas de comportamento adequado à vida no deserto, como escavar na areia para escapar ao calor e levar vida ativa somente à noite, quando a temperatura é mais baixa. Os animais do deserto geralmente são bem adaptados em termos de conservação de água e de regulagem da temperatura de seus corpos. Os animais normalmente encontrados no deserto e em áreas semi-desérticas são pequenos mamíferos, especialmente roedores; répteis, entre os quais muitas espécies de cobras; lagartos e pássaros. Aranhas, escorpiões e insetos, especialmente formigas e besouros, têm presença generalizada.
Os seres humanos e o deserto
Em alguns desertos e estepes, as formas tradicionais de vida mudaram, especialmente desde a metade do século 20. Muitos grupos nômades adotaram formas de vida mais arraigadas ou se viram restritos a áreas fixas pelos governos de seus países. Algumas aglomerações populacionais centradas em oásis se tornaram cidades modernas.
Muitas das mudanças nos desertos do planeta foram causadas pelo desenvolvimento de recursos nesses locais. A extração de petróleo e gás natural, que trouxe mais gente a áreas desérticas, vem sendo especialmente importante. Outro fator que contribui para mudanças nos desertos é o avanço tecnológico, que trouxe segurança contra a seca a muitas áreas e tornou possível o estabelecimento de grandes centros populacionais. Represas, canais, aquedutos, usinas de dessalinização e poços profundos são alguns dos meios usados para garantir suprimento constante de água. O uso cuidadoso da água e da terra, e o desenvolvimento de safras resistentes à seca também ajudaram a criar uma agricultura de sucesso em certas terras áridas.
As atividades humanas muitas vezes danificam o ambiente do deserto. Além disso, em áreas semi-áridas perto dos limites dos desertos, as atividades humanas (especialmente as relacionadas ao desenvolvimento agrícola em larga escala) contribuíram para a desertificação – a redução na capacidade do solo para capturar e reter água.
Fonte: HowStuffWorks
