Cientistas descobrem planeta mais quente já encontrado na Via Láctea
Por si só, a descoberta de um novo exoplaneta não é mais algo que deixe os astrônomos lá tão empolgados. Só as principais sondas da Nasa já conseguiram identificar milhares dessas esferas rochosas estranhas à nossa Via Láctea – e, mesmo assim, até agora só a Trappist-1 nos permitiu sonhar com possíveis viagens interplanetárias. Além do que, o trabalho de garimpar o espaço atrás de novos vizinhos é algo que até amadores dão conta de fazer – como esse mecânico australiano, que descobriu logo quatro em um tapa só, há algumas semanas atrás.
Mas, dessa vez, falamos de algo diferente. Do KELT-9b, que você pode chamar também de “planeta mais quente que já se teve notícia”. O exoplaneta está a uma distância de 650 anos-luz da Terra, e ostenta em sua superfície uma temperatura na casa dos infernais 4.327 ºC. Sim, são 1.100 ºC a mais do que o recordista anterior. A descoberta foi feita por um grupo internacional de pesquisadores, e descrita neste estudo publicado na revista Nature.
Para que comecemos a suar só de pensar, basta olhar para os nossos vizinhos mais calorosos. Vênus, planeta mais quente do Sistema Solar, é quase nove vezes mais frio, com já insuportáveis 460 ºC. A efeito de comparação, o Sol que nos aquece tem temperatura média “apenas” 1.300 ºC maior que a do novo planeta. Falar que o KELT-9b é tão quente quanto uma estrela, portanto, não é nada exagerado. Sobretudo se compararmos com versões mais frias desses astros, como as estrelas vermelhas, com representantes na faixa dos 2.000 ºC.
Esse calor todo é explicado pela proximidade do KELT-9b em relação a uma estrela extremamente quente, que ganha em tamanho e temperatura do nosso Sol: a quase-xará KELT-9 ostenta 9.897 ºC na superfície e é 2,5 vezes maior. E o KELT-9b está tão perto dela que poderia completar uma órbita em um dia e meio. Isso é possível porque o planeta circula seu sol de forma diferente da que fazemos com o nosso. Enquanto vamos pela linha do Equador solar, o exoplaneta faz uma rota mais próxima dos pólos da estrela. Isso faz com que, por lá, um ano corresponda a 36 horas.
