Cidade japonesa se reergue quatro anos após passagem de tsunami
Ao longo da história, os japoneses conquistaram a fama de ser um povo que tem a capacidade de se reinventar e de superar as dificuldades. Os correspondentes em Tóquio, Márcio Gomes e Luciano Tsuda, foram a Hachinohe, uma das cidades destruídas pelo terremoto de 2011, para mostrar que a população seguiu em frente e está se recuperando da tragédia.
“Para chegar a Hachinohe, partindo de Tóquio, vamos de trem bala. Os 560 quilômetros são vencidos em três horas de viagem. A cidade de 200 mil habitantes é uma das mais importantes da província de Aomori, no norte do Japão.
Hachinohe tem na pesca de lula a sua principal indústria, mas sofreu um duro golpe há quatro anos. A história daqui foi definitivamente marcada pelo terremoto e tsunami de março de 2011. Áreas inteiras ficaram destruídas pela força da água, mas com o tempo e a perseverança do povo japonês, a região está voltando a ser lembrada não apenas pela tragédia, mas pelas paisagens deslumbrantes.
Um breve passeio de barco nos apresenta um dos mais famosos moradores daqui: o umineko, uma gaivota que rapidamente nos cerca. Nosso destino é o templo de Kabushima, que fica no que era uma pequena ilha. São 300 mil visitantes todo ano. É um templo xintoísta, para algumas religiões. Para outros, é filosofia de vida, baseada no que a natureza nos oferece e pelo poder que tem.
Esse templo existe há 40 anos, mas a ilha é considerada um local sagrado desde o século XIII. Já houve diferentes construções aqui, mas que não resistiram ao tempo ou aos desastres naturais.
Entre tanta exuberância, a homenagem por todo lado é para as gaivotas. Elas são queridas pelos pescadores, pois sinalizam a posição dos cardumes. Na lojinha, é vendida uma caixa de biscoitos que tem a forma de um umineko. Eles são bem gostosos e dão sorte.
No interior do templo, o teto também é delas. As cerimônias começam com o tambor japonês, o taiko. A oferenda de um ramo de sakaki, árvore típica da região, e um gole de saquê fazem parte do ritual.
Em uma terra onde os significados de uma mesma expressão podem ser tão diferentes, ‘kabushima’ é um bom exemplo. ‘Shima’ é ilha, mas ‘kabu’ pode significar ‘ações’, daquelas negociadas nas bolsas de valores. É por isso que o jovem engenheiro Nakajima, de 37 anos, viajou 450 quilômetros para rezar aqui. ‘Ouvi falar que visitar a ilha ajuda nos negócios e resolvi tentar’, diz ele, esperançoso.
Não importa o motivo: poder ver de perto tanta beleza já é inspirador!”.
