China reitera apoio ao acordo de Paris apesar de ameaça de recuo dos EUA
O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, declarou nesta quinta-feira (1º) que a China cumprirá seus compromissos no Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, segundo a BBC. A declaração acontece no momento em que a imprensa americana afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para anunciar a quebra do compromisso assumido em 2015.
Em uma visita à Alemanha, o primeiro-ministro chinês afirmou ainda que a luta contra as mudanças climáticas era do interesse de seu país. “A China continuará a implementar as promessas feitas no acordo de Paris. Mas é claro, também esperamos fazer isso com a cooperação dos outros”, disse Li, em uma referência às ameaças de Trump sobre uma possível retirada do acordo.
A Rússia também pretende manter seus compromissos com o acordo, mas reconhece que a retirada dos EUA prejudicaria sua implementação. “É evidente que a eficácia desta convenção provavelmente será reduzida sem os seus principais participantes”, declarou um porta-voz do Kremlin, ainda de acordo com a BBC.
A Casa Branca ainda não confirmou a decisão oficialmente. Depois de a notícia ganhar repercussão na manhã desta quarta-feira (31), Trump publicou, em sua conta no Twitter, que pretende anunciar sua decisão sobre o Acordo de Paris “nos próximos dias”.
Durante sua campanha eleitoral, Trump criticou duramente o Acordo de Paris e questionou a mudança climática, um fenômeno que chegou a qualificar de “invenção” dos chineses. Desde que foi eleito, decidiu iniciar um processo para revisar se os Estados Unidos continuariam fazendo parte do pacto.
O acordo busca uma mudança de modelo de desenvolvimento, livre de combustíveis fósseis, e foi assinado por seu predecessor Barack Obama. O pacto determina que seus 195 países signatários ajam para que temperatura média do planeta sofra uma elevação “muito abaixo de 2°C”, mas “reunindo esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C”.
Já Trump acredita que as leis ambientais afogam o crescimento econômico e são responsáveis pela perda de empregos no país. Segundo a Casa Branca, Trump queria escutar os parceiros do G7, o grupo das sete democracias mais industrializadas do mundo, antes de tomar uma decisão a respeito.
Apesar da pressão exercida pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e da chanceler alemã, Angela Merkel, a declaração final da cúpula do G7 reconheceu que os Estados Unidos “não estão em posição de alcançar um consenso” sobre a luta contra a mudança climática.
Os membros do G7, com exceção dos EUA, reiteraram nessa declaração o compromisso de implementar “rapidamente” o Acordo de Paris.
