Capacidade do Rio São Francisco gerar energia diminui 40% em 14 anos
O São Francisco está empobrecendo. Não produz mais peixe, nem irriga, nem produz eletricidade como antes. A capacidade de geração de energia, por exemplo, caiu quase 40% desde 2002.
Já disseram que o São Francisco é um presente de Minas para o Nordeste brasileiro, mas hoje, fica até difícil apontar a principal entre tantas causas da degradação do rio.
O São Francisco desce das nascentes da Canastra trazendo as marcas do garimpo de diamantes, das voçorocas e da poluição dos esgotos. Depois da serra, ele pega uma longa planície e na altura do município de Lagoa da Prata, ele sofre uma verdadeira amputação.
Depois das turbulências da descida, o rio se dava remanso, um momento para acalmar as águas. Serpenteava por sete curvas, porém no início dos anos 80, seu curso foi retificado com a abertura de um canal. Um percurso de 7,5 quilômetros foi encurtado para 350 metros e as consequências disso é a formação de corredeiras, que cortam como lâmina a planície e ‘comem’ dezenas de metros das margens.
Vários crimes foram cometidos nessas décadas, o rio não dava voltas à toa, tinha a função ecológica fundamental de alimentar uma grande quantidade de lagoas marginais.
É na lagoa marginal que o alevino tem chance de escapar dos predadores e se desenvolver para, na cheia, passar a viver no rio. As lagoas foram drenadas, trechos da borda bem na margem do rio foram arrebentados, comportas foram instaladas e no assoalho delas, valos foram abertos para um contínuo esvaziamento, já que esses fundos são coalhados de olhos d’água. Nascentes agora são impactadas pelo pisoteio do gado.
Assista ao vídeo com a reportagem completa e conheça um processo que tramita no Ministério Público visando a renaturalização do Rio São Francisco.
