Atriz Christina Applegate está com esclerose múltipla: entenda a doença
A atriz americana Christina Applegate, de 49 anos, anunciou nesta quarta-feira que foi diagnosticada com esclerose múltipla há alguns meses. A notícia teve grande repercussão nas redes sociais justamente no mês de conscientização sobre a doença.
A atriz de “Samantha Who?” e “Disque Amiga para Matar” diz que tem sido uma “estranha jornada” e que tem recebido o apoio de pessoas com a mesma condição. “É um caminho difícil. Mas como sabemos, a estrada segue. A não ser que algum idiota a bloqueie”, afirmou Applegate que pediu privacidade enquanto “passa por isso”.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que gera um processo inflamatório no organismo afetando o sistema nervoso central mas, com diagnóstico rápido e tratamento correto, é possível bloquear seu avanço e evitar sequelas, de forma que os pacientes podem vida normal.
Como no caso da atriz, a esclerose múltipla geralmente se manifesta antes dos 40 e 50 anos, com sintomas muito variados que se instalam aos poucos. As áreas mais afetadas costumam ser: a visão, com vista embaçada ou perda parcial; o equilíbrio, com tonturas; a força; e a sensibilidade, que vai da dormência à dor.
Segundo o professor de Neurologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) Denis Bichuetti, as pessoas devem ficar alertas se esse tipo de sintoma, às vezes comum por outras causas e transitório, durar mais que três ou sete dias. Nestes casos é importante procurar um clínico ou neurologista.
— Pode ser uma doença rara, no Brasil são 40 casos por 100 mil habitantes, mas nos EUA é a principal causa de incapacidade neurológica permanente abaixo de 50 anos de idade. No Brasil só não é a principal porque tem bala, faca e acidente de carro. O impacto social e econômico é gigantesco. Uma pesquisa da Unifesp mostra que 40% dos pacientes, no Brasil, estão sem remuneração com 36 anos de idade. Por isso as pessoas precisam ser adequadamente tratadas — afirma Bichuetti.
O neurologista explica que há diferentes espectros da doença, das mais leves às mais agressivas. Por isso, há também três diferentes categorias de medicamentos, dos menos aos mais potentes. A maior parte, disponibilizada pelo SUS.
Maria Cecilia Aragon de Vecino, coordenadora do Núcleo de Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes do Hospital Moinhos de Vento (RS) afirma que há 20 anos “houve uma revolução na esclerose múltipla”.
— Até o final dos anos 1990 não havia tratamento adequado ou específico e aí iam ficando com sequelas. Estamos em agosto, mês da esclerose múltipla e o que a gente quer passar é que o paciente tem que ter o diagnostico o mais rápido possível e, dessa forma, com os recursos terapêuticos, as pessoas vão para vida normal — afirma Vecino, que tem uma paciente prestes a ter um bebê.
