Apesar de estável, greening preocupa nos laranjais de SP e MG, diz Fundecitrus

Um mapeamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) apontou que o greening, doença que afeta plantações de laranja, também conhecida como amarelão, atinge 16,7% das laranjeiras de São Paulo e Minas Gerais, praticamente o mesmo índice registrado em 2015 e 2016. Apesar de estável, a doença deve afetar a safra deste ano.

O estudo foi realizado entre março e abril deste ano e mapeou 2,2 mil propriedades que apresentaram controle do greening. O número representa 32 milhões de pés doentes nas maiores regiões produtoras do país.

Doença também é conhecida como amarelão (Foto: Rodrigo Sargaço/ EPTV)

Doença também é conhecida como amarelão (Foto: Rodrigo Sargaço/ EPTV)

Apesar de não ter avançado, o número preocupa o Fundecitrus. “Estimamos cerca de 5% de redução na safra estimada de 364 milhões de caixas e 17 milhões de caixas serão perdidas”, avaliou Juliano Ayres, gerente do Fundecitrus.

“A Flórida, nossa principal concorrente, tem 90% da produção afetada e a safra caiu pela metade em 10 anos. Não podemos deixar que aconteça com São Paulo o que houve em outros países”, completou.

Fazenda em Matão tomou medidas para controlar o greening (Foto: Rodrigo Sargaço/ EPTV)

Fazenda em Matão tomou medidas para controlar o greening (Foto: Rodrigo Sargaço/ EPTV)

Produção e medidas

Em Matão (SP), uma fazenda de 14 mil hectares está com os pomares carregados. São 3 milhões de pés de laranja, porém, alguns foram afetados pelo greening.

O gerente da fazenda Ivan Brandimarte conta que, apesar de alguns pés infectados, ações evitaram o avanço da doença. “Pulverização, inspeção e erradicação das plantas infectadas. Também fazemos manejo externo, algumas propriedades a gente faz o monitoramento do inseto e nos últimos 3 anos conseguimos controlar a doença”, disse.

Gerente da Fundecitrus explica que mesmo com controle, produção será afetada (Foto: Rodrigo Sargaço/ EPTV)

Gerente da Fundecitrus explica que mesmo com controle, produção será afetada (Foto: Rodrigo Sargaço/ EPTV)

“Boa parte dos produtores tem adotado as medidas recomendadas de manejo regional do inseto e controle das plantas doentes, com a saída de pomares afetados e entrada de pomares sadios”, explicou Renato Bassarezi, pesquisador da Fundecitrus.

Greening ou amarelão

A doença é causada por bactérias transmitidas por um inseto, as folhas das frutas ficam amareladas. Uma árvore sadia produz até quatro caixas de laranja, enquanto que uma doente produz só metade. “Os frutos dos ramos sadios são normais e grandes, os com greening ficam pequenos, deformados, com baixa qualidade para o suco e irão cair”, contou Bassarezi.

Regiões

O cinturão citrícola de SP e MG é dividido em 12 regiões (cinco setores) – Triângulo Mineiro, Bebedouro e Altinópolis (Norte); Votuporanga e São José do Rio Preto (Noroeste); Matão, Duartina e Brotas (Centro); Porto Ferreira e Limeira (Sul); e Avaré e Itapetininga (Sudoeste).

O setor Sul é o mais afetado pelo greening, com 32,26% de plantas doentes, seguido pelo Centro (24,76%), Sudoeste (7,87%) e Norte (5,48%). O Noroeste é o menos comprometido, com 4,04% de incidência.

Em relação às regiões, Limeira é a mais impactada, com 39,48% de árvores doentes.

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