Antidepressivos na gravidez aumentam 87% o risco de autismo
Um novo estudo publicado no periódico Pediatrics afirmou que o uso de antidepressivos durante a gestação aumenta em 87% os casos de autismo. A pesquisa acompanhou 145.456 crianças, desde a gestação até os 6 anos de idade. Para a líder do estudo, a professora Anick Bérard, da Universidade de Montreal e do Centro Hospitalar Universitário Sainte-Justine, no Canadá, a pequisa permitiu estabelecer que “o uso de antidepressivos, principalmente aqueles à base de serotonina, entre o segundo e o terceiro trimestres, quase dobra o risco de autismo para as crianças”.
A serotonia é um neurotransmissor. Ou seja, uma substância química produzida pelos neurônios que envia informações a outras células. Uma vez que o autismo age nos neurotransmissores cerebrais, remédios que modifiquem o balanço da serotonina durante o desenvolvimento do feto podem contribuir para um maior risco de desenvolver o transtorno.
Mas, apesar do resultado do estudo, não há motivo para pânico. Para o biólogo molecular e professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia (UCSD), Alysson Muotri, mesmo que a pesquisa seja estatisticamente relevante e tenha sido feita por um tempo longo o suficiente, o alto percentual encontrado não impressiona. “O resultado mostra que o uso de antidepressivos altera muito pouco as chances da gravidez gerar uma criança autista. O risco é muito baixo, mesmo com um aumento de 87%”, explica. Isso porque a chance de uma gravidez gerar uma criança autista está ao redor de 1%: ou seja, mesmo com uso de antidepressivos, essa taxa sobre para 1,87%, o que não é alarmante.
