Achado em Bauru sapo ameaçado de extinção

Abrigo para incontável número de animais, o Córrego Vargem Limpa, em Bauru, também protege uma espécie ameaçada de extinção. Trata-se do sapo-escavador-do-Cerrado-de-Morato, um anfíbio com poucos centímetros, que só existe em áreas de cerrado, e foi recentemente avistado em toda a extensão das margens do ribeirão.

A descoberta ocorreu há pouco tempo, durante levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) para a elaboração de laudos de fauna. O documento é exigido desde julho do ano passado pela Cetesb para a autorizar a supressão de vegetação nativa.

No caso específico, o estudo foi necessário para que o DAE pudesse instalar interceptores na Quinta da Bela Olinda, dentro das obras da futura Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). O único profissional habilitado para realizar este laudo na prefeitura é o biólogo Daniel Contrieri Rolim.

Especialista neste tipo de anfíbio, foi ele quem descobriu que o Córrego Vargem Limpa abrigava algumas populações do raro sapinho, que recebe o nome científico de Proceratophrys moratoi. “Como eu já conhecia bem a espécie, escutei a vocalização característica e só por isso consegui localizá-lo”, conta, explicando que a visualização do animal é difícil devido ao seu tamanho. O sapinho macho tem apenas 2,7 cetímetros e a fêmea pode chegar a 3,57 centímetros.

Rolim conta que vários exemplares do sapinho-escavador-do-cerrado foram encontrados nos cerca de seis quilômetros de extensão do córrego, desde a nascente, na altura da rodovia Bauru-Arealva, até a Quinta da Bela Olinda. Segundo o pesquisador, até mesmo girinos e indivíduos jovens foram identificados, o que demonstra que a espécie está se reproduzindo na área.

A reprodução, ele explica, é favorecida pelas pequenas poças formadas por afloramentos de água e nascentes que existem na Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego Vargem Limpa. “A presença dele demonstra que estes ambientes estão preservados, por mais que o entorno tenha sido modificado”, frisa, explicando que a espécie está ameaçada justamente por conta da intensa degradação da vegetação nativa na região.

Impacto

Mas, em razão do laudo de fauna elaborado, a intenção é que a instalação dos interceptores não gere grande impacto na vida dos sapinhos e de outros animais no córrego, conforme adianta Rolim. “Já fizemos o levantamento da estação chuvosa e, agora, estamos fazendo da estação seca. É provável que, para obter o licenciamento da Cetesb, seja necessário fazer alguns desvios de trajeto nos interceptores, com o objetivo de não destruir estas nascentes”, pontua.

Em Bauru, o sapinho-escavador-do-cerrado foi registrado pela primeira vez no Jardim Botânico Municipal, em 2008, durante a elaboração da dissertação de mestrado de Rolim, que constatou um possível desparecimento da espécie da região de Botucatu, área onde ela foi descoberta e descrita. Até a realização do levantamento para a instalação dos interceptores de esgoto, acreditava-se que o anfíbio, em Bauru, estivesse restrito ao Botânico.

O animal está incluído como “criticamente em perigo” na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção. Também consta da lista oficial da fauna e da flora ameaçadas de extinção do município de Bauru.

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