A sobrevivência de focas fêmeas após o período fértil favoreceu a continuidade da espécie
Os cientistas decidiram, então, testar a hipótese do conflito reprodutivo, originalmente levantada em relação a ancestrais humanos, que sugere que a menopausa evoluiu porque as mulheres com mais idade estavam relacionadas a mais membros do grupo, mas eram menos capazes de competir reprodutivamente com as mais novas. Quando os pesquisadores testaram essa hipótese com as orcas, observaram que as fêmeas idosas realmente tinham mais parentes no grupo e, quando as avós e suas filhas procriavam simultaneamente, os descendentes das mais velhas tinham menor probabilidade de sobreviver. “Como resultado, as fêmeas com mais idade passam da concorrência reprodutiva para a cooperação em benefício dos familiares”, relata o artigo publicado pela equipe na edição de janeiro da Current Biology. Croft ressalta que os resultados não negam a hipótese da avó, mas a complementam, ao descrever um mecanismo para compreender o papel evolutivo da menopausa.
A neurocientista Lori Marino, especialista em inteligência animal que chefia o Projeto Santuário de Baleia (que não participou do estudo), concorda com esse ponto de vista. “Em geral, não há uma única explicação para o intricado comportamento de animais; mas podemos considerar que, embora humanos e orcas vivam em ambientes muito diferentes, suas estruturas sociais similares ajudam a convergir o comportamento”, diz. Croft reforça a ideia: “Parece absolutamente fascinante podermos traçar essas semelhanças entre nós e esses fantásticos animais”. Talvez, porém, tenhamos ainda muito a aprender com as orcas em relação à valorização da figura feminina.
