A insensatez da mineração
Maria Teresa Viana de Araújo Corujo (Teca) *
“Minerodutos são mais uma insensatez da mineração, que vive buscando alternativas tecnológicas para manter seus empreendimentos e seus lucros a qualquer custo. Não faz o menor sentido transportar minérios usando água, ainda mais quando se usam também produtos como soda cáustica e amido. Cada mineroduto transporta água equivalente ao abastecimento de 200 mil pessoas.
Em sua trajetória, os minerodutos causam a destruição de ambientes naturais e cursos de água e violam direitos, modos e qualidade de vida e o sossego das pessoas. Atravessam comunidades indígenas, tradicionais, núcleos rurais e urbanos. E vão destruir também a vida de pescadores e comunidades do litoral, quando chegam aos navios para que nossos minérios sejam exportados.
Tudo isso através de decretos de desapropriação baseados na utilidade pública da mineração. Qual é mesmo a utilidade pública dessa atividade econômica que enriquece os bolsos dos acionistas, alimenta o mercado de ações e acaba definitivamente com nossas paisagens, biodiversidade, biomas, aquíferos, qualidade do ar e saúde?
Na gravíssima crise hídrica, a água é o bem de utilidade pública mais essencial. Assim, pensar em minerodutos é mais que insensato. É criminoso. Está na hora de dizer não!”
(*) Artesã, educadora ambiental e integrante dos movimentos pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM) e pela Preservação da Serra do Gandarela.
Fonte: Revista Ecológico
