Níveis do reservatório da Cantareira voltam a cair em São Paulo, mas não haverá racionamento

A Sabesp, empresa de saneamento básico de São Paulo, garantiu, nesta sexta-feira (7), que não há risco de rodízio de água em 2015 na capital e que a queda de nível dos reservatórios é normal para esse período do ano. Por outro lado, faz mais de um ano que o Sistema Cantareira não chega ao volume normal.

O Cantareira já não é mais o principal responsável pelo fornecimento de água para os moradores da Região Metropolitana, mas ainda abastece mais de cinco milhões de pessoas. O bombeamento de água da reserva técnica, o chamado volume morto, que deveria ser uma solução de emergência continua.

A fonte do Cantareira continua secando, mesmo depois de 20 meses que a crise da falta de água começou pra valer em São Paulo. A quantidade de água que chegou ao Sistema este ano foi maior do que de janeiro a julho do ano passado. Mesmo assim, ainda está quase 60% abaixo do previsto.

A situação das represas do Cantareira ainda pode piorar. Desde abril, não chove o esperado na região e, agora em agosto, a companhia de abastecimento passou a tirar mais água do Sistema pra atender São Paulo. Este já é o segundo inverno com o Cantareira no negativo, no volume morto.

O uso da água que fica abaixo das comportas era uma solução emergencial, mas como não foi o que aconteceu, isso acaba atrasando a recuperação do próprio sistema de abastecimento. Hoje, o nível está em 18,1% usando o volume morto. Um ano atrás, também com volume morto, estava em 14,4%.

O volume útil do Cantareira acabou em julho do ano passado. Três meses depois, foi a vez da primeira parte do volume morto esgotar e a segunda parte começou a ser bombeada. Ela foi recuperada com as chuvas, em fevereiro deste ano, mas até agora o Cantareira está longe de voltar para o volume útil.

O governo de São Paulo corre para entregar obras que ligam outros rios e represas e, assim, evitar um rodízio oficial de água. “A retirada do segundo volume morto é praticamente inevitável. Nosso consumo continua alto. Não vai chover e, com alta temperatura, a água evapora fácil. Então, isso faz com que a gente volte a entrar no segundo volume morto nos próximos dias e faz com que fique em alerta ainda maior do que no ano passado”, afirma Malu Ribeiro, coordenadora da Fundação SOS Mata Atlântica.

A Sistema Guarapiranga, que passou a ser o principal produtor de água, está mais cheio do que há um ano e é por causa da melhora nos níveis de reservatórios do sudoeste e do centro-oeste e da desaceleração da economia que o Governo Federal anunciou que vai desligar, a partir de sábado (8), 21 usinas térmicas mais caras, que encarecem a conta de luz. Elas tinham sido acionadas para compensar a falta de chuva. A medida vai gerar economia de R$ 5,5 bilhões, mas o governo ainda não disse se a conta de luz vai ficar mais barata.

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