Filme plástico com nanotecnologia destrói vírus por contato
Cientistas criaram uma película plástica muito fina que é capaz de destruir fisicamente os vírus no instante em que esses patógenos entram em contato com sua superfície.
A expectativa é que essa inovação permita a fabricação de revestimentos e utensílios que ajudem a reduzir a disseminação de doenças por meio de objetos e superfícies frequentemente tocados, de celulares e teclados até corrimãos e equipamentos hospitalares.
E, além de sua eficácia impressionante, o filme plástico virucida também foi projetado para ser prático no mundo real: Ao contrário das superfícies antivirais anteriores, feitas de metais ou silício, este novo plástico flexível pode ser produzido em escala industrial.
“À medida que as ferramentas de nanofabricação melhoram, nossos resultados fornecem um guia mais claro sobre quais nanopadrões funcionam melhor para matar vírus,” explicou Samson Mah, da Universidade RMIT, na Austrália.
“Nosso molde pode ser adaptado para a fabricação rolo a rolo, o que significa que filmes plásticos antivirais poderão ser produzidos em larga escala com equipamentos de fábrica já existentes. Poderemos um dia ter superfícies como telas de celulares, teclados e mesas de hospital revestidas com esse filme, matando vírus por contato sem o uso de produtos químicos agressivos,” acrescentou o pesquisador.
[Imagem: Samson W. L. Mah et al. – 10.1002/advs.202521667]
Nanotecnologia macia
A película antiviral é feita de acrílico e revestida com estruturas extremamente pequenas, conhecidas como nanopilares ou nanoespículas. Essas minúsculas estruturas agarram o vírus e esticam sua camada externa até que ela se rompa. Ou seja, em vez de depender de desinfetantes químicos, a superfície usa força mecânica para desativar o vírus.
Em experimentos utilizando o vírus da parainfluenza humana 3 (hPIV-3) – que causa bronquiolite e pneumonia – os resultados foram impressionantes: Dentro de uma hora após o contato, cerca de 94% das partículas virais estavam fragmentadas ou danificadas a tal ponto que não conseguiam mais se reproduzir e causar infecção.
Estudos anteriores com materiais rígidos, como silício com nanoespículas, mostraram que os vírus podem ser fisicamente destruídos. Este experimento amplia essa ideia, demonstrando que tanto estruturas nanométricas pontiagudas quanto arredondadas podem ser eficazes quando dispostas corretamente. Além disso, a equipe descobriu que a proximidade entre os nanopilares desempenha um papel muito mais importante do que a sua altura – a distância de maior eficiência é de 60 nanômetros entre os pilares.
A equipe agora planeja testar vírus menores e não envelopados para determinar a abrangência da aplicação da tecnologia. “Acreditamos que essa texturização é uma forte candidata para o uso diário e estamos prontos para firmar parcerias com empresas para aprimorá-la para a fabricação em larga escala,” disse a professora Elena Ivanova.
Artigo: Designing Scalable Mechano?Virucidal Nanostructured Acrylic Surfaces for Enhanced Viral Inactivation
Autores: Samson W. L. Mah, Denver P. Linklater, Vassil Tzanov, Chaitali Dekiwadia, Sergey Rubanov, Phuc H. Le, Laleh Tafakori, Ranya Simons, Graeme Moad, Soichiro Saita, Takashi Yanagishita, Hideki Masuda, Vladimir Baulin, Natalie A. Borg, Elena P. Ivanova
Revista: Advanced Science
DOI: 10.1002/advs.202521667
