Ventilador ou ar-condicionado: qual é a melhor escolha para enfrentar o calor sem prejudicar a saúde?
Especialista explica diferença e diz quais são os cuidados essenciais para usar cada aparelho
De acordo com o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio), em mais da metade do verão no Rio houve estresse térmico — combinação de altas temperaturas e umidade do ar em níveis elevados. Nesse espaço de tempo, a cidade registrou temperaturas entre 36°C e 40°C, ficando entre os níveis 2 e 3 do Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo. Quando o calor aperta, a busca por alívio é imediata. Ventilador ligado a noite toda, ar-condicionado em temperatura baixa ou a combinação dos dois viram aliados quase automáticos. Mas, do ponto de vista da saúde respiratória, será que todas essas escolhas são inofensivas? A resposta não é tão simples — e depende tanto do aparelho quanto de quem está exposto a ele.
Segundo a otorrinolaringologista Anike Nascimbem, do Hospital Paulista, ventilador e ar-condicionado têm efeitos diferentes sobre o organismo e apresentam vantagens e limitações que precisam ser consideradas, especialmente por pessoas com doenças respiratórias.
“Do ponto de vista respiratório, o ar-condicionado tende a ser a opção mais saudável, principalmente para pacientes com rinite e asma, porque ele promove a filtragem do ar, reduzindo a circulação de poeira, partículas e outros agentes irritantes”, explica a médica.
A capacidade de filtrar o ar faz do ar-condicionado um aliado importante para quem sofre com alergias respiratórias. No entanto, o benefício vem acompanhado de um efeito colateral conhecido: o ressecamento das mucosas. “O ar-condicionado pode ressecar o nariz, a garganta e as vias aéreas, o que favorece irritações, desconforto e até sangramentos nasais em algumas pessoas”, alerta Anike. Por isso, o uso prolongado, especialmente em temperaturas muito baixas, deve ser evitado.
Já o ventilador funciona de forma bem diferente. Ele não resfria nem filtra o ar — apenas o movimenta. Isso faz com que o ambiente pareça mais fresco, mas também favorece a circulação de poeira, ácaros, vírus e outros alérgenos. “Para pessoas alérgicas ou asmáticas, o ventilador pode piorar os sintomas justamente porque espalha essas partículas pelo ambiente”, explica a especialista. Por outro lado, como não resseca tanto as mucosas, ele pode ser melhor tolerado por quem não tem doenças respiratórias.
Tanto o ventilador quanto o ar-condicionado podem contribuir para o agravamento de crises de rinite e sinusite se usados sem cuidados. A chave está no equilíbrio. “Manter o ambiente adequadamente umidificado, investir na hidratação oral e fazer a lavagem nasal com solução salina são medidas simples, mas muito eficazes”, orienta a médica. Umidificadores de ar podem ajudar, desde que sejam higienizados corretamente para não se tornarem focos de fungos e bactérias.
Independentemente da escolha, a manutenção dos aparelhos é fundamental para a saúde. Ventiladores acumulam poeira nas hélices e grades, enquanto filtros de ar-condicionado sujos perdem eficiência e se transformam em fontes de contaminação. “A limpeza regular dos aparelhos, dos filtros e do ambiente como um todo é indispensável. Não adianta investir em tecnologia se o ar que circula está contaminado”, reforça Anike.
Atenção redobrada para grupos mais sensíveis
Crianças, idosos e pessoas com alergias respiratórias fazem parte do grupo que mais sente os efeitos do uso inadequado desses aparelhos. Para eles, os cuidados devem ser ainda mais rigorosos. “Essas populações se beneficiam do uso de ventiladores e ar-condicionado no verão, desde que todas as recomendações sejam seguidas: higiene dos aparelhos, hidratação adequada, lavagem nasal regular e controle da umidade do ambiente”, afirma a otorrinolaringologista.
No fim das contas, não existe um vilão absoluto quando o assunto é enfrentar o calor. O problema está no uso excessivo, sem manutenção e sem atenção às necessidades individuais. “Ventilador e ar-condicionado podem ser aliados da saúde e do bem-estar. O mais importante é entender como cada um funciona e adotar cuidados simples para que o alívio do calor não venha acompanhado de problemas respiratórios”, conclui Anike.
