1 em cada 4 jogos da Copa de 2026 terá risco de estresse térmico
Mudanças climáticas aumentaram a probabilidade de jogos em condições severas de calor
A menos de um mês do início dos jogos, torcedores brasileiros aguardam a lista de convocação da seleção que disputará o hexacampeonato – prevista para ser anunciada às 17h desta segunda-feira (18). Mas, além da preparação técnica das equipes, a Copa do Mundo de 2026 também deve ser marcada por um fator extra em campo: o calor extremo.
A Copa de 2026 será disputada de 11 de junho a 19 de julho de 2026 em três países anfitriões: Estados Unidos (EUA), Canadá e México, com partidas distribuídas por 16 cidades e a final a ser realizada em Nova York no dia 19 de julho. Devido à ampla distribuição geográfica, é esperado que o clima varie substancialmente. Entretanto, cientistas alertam para o fato de que um em cada quatro jogos do torneio poderá ocorrer sob condições consideradas perigosas para atletas e torcedores.
Localidades mais ao sul e no interior dos EUA e do México, sobretudo, estarão sujeitos a temperaturas significativamente mais altas, frequentemente se aproximando ou ultrapassando os 30 °C, com potencial para períodos de calor extremo durante o dia. Além disso, os níveis de umidade podem ser altos em algumas regiões, tornando o calor mais perigoso.
“Embora as Copas do Mundo sejam frequentemente disputadas no verão do hemisfério norte, a grande variação nas condições climáticas é exclusiva deste evento e pode tornar a experiência especialmente difícil para os jogadores”, afirma em comunicado a World Weather Attribution, uma rede de cientistas climáticos.

Perigo na Copa de 2026
O estresse térmico ocorre quando o corpo é exposto a temperaturas extremas, que superam sua capacidade de termorregulação. Para medir o efeito combinado de fatores ambientais no estresse térmico humano, foi usado o índice da Temperatura de Bulbo Úmido e Globo (WBGT), que combina umidade, radiação solar e vento.
A análise científica da WWA estima que 26 das 104 partidas, ou seja, 1 em cada 4 jogos, poderiam ocorrer em condições que atingissem pelo menos 26°C de WBGT. A partir de tal temperatura, o sindicato internacional dos jogadores de futebol – FIFPRO (Federação Internacional de Profissionais de Futebol) – recomenda que pausas para resfriamento durante a partida, uma vez que o estresse térmico se torna um risco real. Já a partir de 28°C WBGT, a FIFPRO afirma que é inseguro jogar e recomenda o adiamento da partida. Isso contrasta com os regulamentos atuais da FIFA para a Copa do Mundo, que consideram o adiamento apenas em níveis de WBGT superiores a 32°C.
Da estimativa dos 26 jogos ocorrerem em condições de pelo menos 26°C WBGT, 9 serão em estádios sem refrigeração. Já para o limite de 28°C considerado inseguro para a prática de esportes, a previsão é de que 5 jogos ocorram nessas condições.

Os estádios mais expostos ao calor extremo de 28°C WBGT sem ar condicionado são o MetLife Stadium de Nova York, o Lincoln Stadium da Filadélfia, o Arrowhead Stadium de Kansas City, o Hard Rock Stadium de Miami e, em menor grau, o Estádio Monterrey e o Gillette Stadium de Boston.
A probabilidade de ultrapassarem os limites extremos da escala WBGT depende não só da localização e do aquecimento climático, mas também da hora do dia em que os jogos são disputados. Como exemplo, o estudo cita que a partida entre Holanda e Tunísia, com início às 18h, horário local de Kansas City, tem 7% de chance de ultrapassar o limite de 28°C.
Calor, umidade e futebol
Altas temperaturas combinadas com altos níveis de umidade são perigosas para o corpo humano, especialmente durante a prática de atividades físicas extenuantes, como é o caso de jogar futebol profissional. Isso significa que, em tais condições, o calor não apenas afeta o desempenho em campo como também pode levar a doenças graves e insolação. Além dos jogadores, a World Weather Attribution alerta para o fato de que os torcedores também podem ser afetados negativamente, sobretudo aqueles que assistem às partidas em eventos públicos ao ar livre.
A análise da WWA combina resultados de observações e modelos climáticos para estimar o papel das mudanças climáticas causadas pelo homem no aumento do WBGT entre 1994 e 2026. Comparando assim, os dois anos em que os EUA sediaram a Copa. Em todos os cenários, a situação prevista é pior para este ano.
Os cientistas da WWA ressaltam que para “garantir que o futebol possa continuar a ser apreciado com segurança” é necessário não apenas medidas de adaptação, mas também de “esforços rápidos de transição para longe da queima de combustíveis fósseis.
