UNICEF lança levantamento inédito sobre impacto de ultraprocessados na infância
O documento reúne evidências que relacionam esses alimentos a problemas como atraso no crescimento, maior risco de diabetes tipo 2 e possíveis impactos na saúde mental
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou uma revisão global a respeito do impacto de alimentos ultraprocessados em crianças. O documento reúne, de forma inédita, as evidências mais recentes sobre o tema.
A revisão traz análises de diversos estudos feitos por instituições de referência, como a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Saúde Pública do México, a Universidade de Sidney e a Universidade de Gana. Esse documento visa complementar uma recente série de artigos publicados pela The Lancet, que fala sobre o consumo desses alimentos por seres humanos em geral.
No Brasil, há mais de 20 anos a obesidade superou a desnutrição como o tipo de má nutrição mais comum. Em 2000, 5% dos brasileiros entre 5 e 19 anos eram considerados obesos. Em 2022, esse porcentagem triplicou, chegando a 15%. O número de meninas e meninos com desnutrição diminuiu de 4% para 3% no mesmo período. Esses dados foram compilados em um relatório anterior da UNICEF, intitulado “Alimentando o Lucro: Como os Ambientes Alimentares estão Falhando com as Crianças”.
Apesar das informações animadoras sobre desnutrição, a instituição frisa que os ultraprocessados não são aliados nessa causa. O levantamento recente reúne evidências que relacionam o consumo desses produtos a algumas formas de desnutrição, como atraso no crescimento e anemia, além de maior risco de diabetes tipo 2 na vida adulta e possíveis impactos na saúde mental.
“Se os adultos já sofrem com esse ambiente alimentar, as crianças e adolescentes são ainda mais vulneráveis. Por isso, o UNICEF trabalhou para reunir e sintetizar as evidências sobre como os ultraprocessados impactam diretamente a nutrição e a saúde infantis, um campo em que ainda há menos estudos focados. Esperamos que essa revisão, lançada globalmente, contribua para orientar políticas públicas mais protetivas para as novas gerações”, diz o representante da UNICEF Joaquin Gonzalez-Aleman, em um comunicado da instituição.
