Terra pode ser planeta totalmente diferente e caótico em 2500, diz estudo

Terra pode ser planeta totalmente diferente e caótico em 2500, diz estudo

Mudanças climáticas tendem a transformar a Amazônia em zona árida, o meio-oeste dos Estados Unidos em região tropical e a Índia em um lugar quente demais para abrigar vida

Se a humanidade não tomar medidas urgentes, o aquecimento global pode deixar nosso planeta praticamente irreconhecível em 2500: a Amazônia ficará árida, o meio-oeste americano dará lugar a um clima tropical e a Índia ficará quente demais para abrigar vida. A situação catastrófica foi prevista por um time internacional de cientistas em um estudo publicado no último dia 24 de setembro na revista Global Change Biology.

Os pesquisadores criticam que, nos últimos 30 anos, muitos relatórios climáticos se concentraram em prever o que ocorrerá até o ano de 2100. Mas as mudanças climáticas irão muito além disso, trazendo consequências de prazo ainda mais longo. “Precisamos imaginar a Terra que nossos filhos e netos podem enfrentar e o que podemos fazer agora para torná-la justa e habitável para eles”, salienta Christopher Lyon, coordenador da pesquisa, em comunicado.

Imagem superior mostra uma aldeia indígena tradicional na Amazônia; ilustração do meio retrata a área atual; já a imagem inferior considera o ano 2500 e mostra uma paisagem árida e baixo nível de água resultante do declínio da vegetação (Foto: James McKay, CC BY-ND)
Imagem superior mostra uma aldeia indígena tradicional na Amazônia; ilustração do meio retrata a área atual; já a imagem inferior considera o ano 2500 e mostra uma paisagem árida e baixo nível de água resultante do declínio da vegetação (Foto: James McKay, CC BY-ND)

Ao usarem modelos com base nas concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, os especialistas previram cenários de mitigação baixa, média e alta das emissões desses poluentes. Eles consideraram também o Acordo de Paris, firmado em 2015 entre 195 países, que prevê conservar o aumento da temperatura do planeta abaixo de 2 ºC e buscar esforços para manter tal elevação.

Com isso, em cenários de mitigação baixa e média, isto é, que não atendem ao limite de 2ºC do acordo, a vegetação e as áreas de cultivo do planeta terão de ser deslocadas em direção aos polos da Terra, segundo os pesquisadores.

Imagem superior mostra comunidade pré-colonial no meio-oeste norte-americano; imagem do meio retrata os tempos atuais com monocultura de grãos e a última ilustra adaptação agrícola a um clima subtropical quente e úmido, com a utilização de drones (Foto: James McKay, CC BY-ND )
Imagem superior mostra comunidade pré-colonial no meio-oeste norte-americano; imagem do meio retrata os tempos atuais com monocultura de grãos e a última ilustra adaptação agrícola a um clima subtropical quente e úmido, com a utilização de drones (Foto: James McKay, CC BY-ND )

Algumas lavouras também serão reduzidas, e locais que geram muitas riquezas naturais e culturais, como a Bacia Amazônia, ficarão completamente escassos. A cobertura florestal amazônica, que hoje ocupa cerca de 71% do que era originalmente, irá cair para 63% em 2100. Depois para 42% em 2200 e chegará a apenas 15% em 2500.

Além de tudo isso, um estresse térmico grave ocorrerá em regiões atuais de clima tropical e alta densidade populacional, trazendo consequências fatais nessas áreas, que serão praticamente inabitáveis para os seres humanos. Na Índia, as temperaturas nos meses de verão irão aumentar em 2 ºC em 2100 e 4 ºC em 2500, de acordo com a investigação.

Já se houver alta mitigação das emissões de gases de efeito estufa, os cientistas estimam que o nível do mar mesmo assim continuará subindo. Isso porque os oceanos ainda continuarão esquentando, o que ocasiona o derretimento de calotas de gelo. E os efeitos das emissões do século 21 provavelmente serão sentidos nos próximos séculos – mesmo após as concentrações de gases atingirem um equilíbrio.