Telhas podem ajudar a neutralizar emissões de CO2
Para calcular com mais precisão o impacto ambiental de seus produtos a Eternit, companhia focada no setor de materiais de construção, encomendou estudos para medir a capacidade de absorção de CO2 de telhas de fibrocimento e as emissões do gás produzidas pelas suas fábricas. Em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP), o primeiro estudo identificou que o volume de telhas comercializadas em 2024 proporcionou o sequestro de 127.957 toneladas de CO2 (1 ano de exposição).
O segundo trabalho, realizado pela R. Roche & Associados, revelou que, em 2024, foram emitidas 4.696 toneladas de CO2 pelas 6 fábricas de fibrocimento da Companhia. A partir dos dois materiais, a equipe de Pesquisa & Desenvolvimento da companhia concluiu sobre o potencial significativo que as telhas de fibrocimento têm no processo de descarbonização.

Segundo a Eternit, em 2024, foram comercializadas 633 mil toneladas de telhas e “as telhas começam a absorver CO2 logo após a produção, com a geração dos subprodutos da reação do cimento, o processo de carbonatação já é iniciado”.
Como foi feita a pesquisa?
Para as análises, o Núcleo de Pesquisa em Materiais para Biossistemas & Laboratório de Construções e Ambiência FZEA/USP contemplou a medição do grau de “carbonatação”, nome dado ao fenômeno de absorção do CO2 da atmosfera, das telhas de fibrocimento ao longo do tempo quando submetidas às intempéries naturais.
O que é carbonação?

A carbonação é um processo químico característico dos materiais à base de cimento que ocorre com a difusão de CO2 pelos poros insaturados da matriz alimentícia (ALMEIDA, et al., 2013).
O processo de carbonação acontece a partir da reação química entre o CO2 no ar e os produtos de hidratação do cimento. O CO2 da atmosfera se dissolve na água depositada nos poros da matriz cimentícia (LIM et al., 2010).
“A construção civil como conhecemos está em processo profundo de transição e este marco coloca a Eternit em linha com as políticas pró meio ambiente mais atuais no cenário global. O futuro sustentável traz métodos limpos, ágeis e eficientes nos diversos níveis da cadeia produtiva”, afirma Rodrigo Inácio, presidente da Eternit.
A companhia fabrica mais de 680 mil toneladas de fibrocimento por ano, utilizados tanto na fabricação de telhas onduladas quanto de painéis e placas cimentícias para construções industrializadas.

Fibrocimento como motor da neutralização
Foi a primeira vez que o grupo de pesquisa da USP, referência no Brasil para trabalhos com fibrocimento, colheu dados públicos sobre o grau de carbonatação natural e volume que as telhas fabricadas pela Eternit sequestram de CO2 da atmosfera.
Reconhecidamente, o cimento é um dos grandes responsáveis pelas emissões de CO2, porém o fibrocimento possui alta capacidade de carbonatar naturalmente e sequestrar o gás carbônico do ambiente. Essa reação química de carbonatação, contribui com a redução da permeabilidade, maior estabilidade dimensional e aumento da resistência mecânica, o que leva a melhores indicadores de ecoeficiência do produto.
“Iniciativas como esta que geram valor para a companhia e para a sociedade estão constantemente no radar da empresa”, explica Paulo Eduardo Kunitz, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento, responsável da Eternit na condução do estudo.

Referências:
Uma árvore adulta pode absorver, em média, cerca de 22 kg de CO2 por ano.
