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Startup alia nanotecnologia à biodiversidade amazônica para criar curativos e cosméticos

Startup alia nanotecnologia à biodiversidade amazônica para criar curativos e cosméticos

Fundada em 2023, a BioSpin se posiciona como uma plataforma dedicada a converter a biodiversidade regional em ativos de alta performance. Proposta surgiu de pesquisa de doutorado

Doutor em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrey Marcos Pinho da Silva, 34 anos, retornou a Manaus (AM) em 2023 com um propósito: transformar anos de pesquisa em soluções práticas para a sociedade. Foi nesse contexto que nasceu a BioSpin, startup que se posiciona como uma plataforma de nanotecnologia dedicada a converter a biodiversidade amazônica em ativos de alta performance, agregando valor a recursos naturais que historicamente são comercializados como commodities de baixo custo.

Entre as inovações, destacam-se o curativo biodegradável avançado para feridas complexas e um sérum regenerativo. Ao conectar ciência de ponta e vocação regional, Silva busca fortalecer a economia local e promover o uso sustentável da biodiversidade, reposicionando a Amazônia como protagonista no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alto valor agregado.

A trajetória da startup é resultado direto da motivação do cofundador em romper os muros da academia para gerar impacto social. “A BioSpin veio da minha motivação enquanto empreendedor científico. Iniciou a partir da minha pesquisa de doutorado”, conta.

Após a conclusão do estudo em Santa Catarina, o retorno à capital amazonense coincidiu com a oportunidade no edital do Fundo Vale, da Jornada Amazônia, focado em selecionar ideias para desenvolver startups na região. “Já enxergava o potencial dessa tecnologia. Tinha essa motivação de transformar essa base científica em produtos inovadores”, explica.

A BioSpin foi formalmente fundada em 2023, garantindo seus primeiros fomentos e parcerias estratégicas com o Sebrae Nacional e a Amazônia Venture Builder. Hoje, a empresa atua no desenvolvimento da tecnologia de nanofibras bioativas – estruturas fibrosas com diâmetros na escala nanométrica (geralmente abaixo de 1000 nm) que incorporam substâncias ativas. O portfólio foca em duas frentes principais com diferentes níveis de maturidade: Nanofiberdressing (curativo avançado) e Nanoemulsão BioSpin (sérum regenerativo).

Sérum regenerativo está sendo vendido em estabelecimentos de Manaus (AM). — Foto: Divulgação
Sérum regenerativo está sendo vendido em estabelecimentos de Manaus (AM). — Foto: Divulgação

O curativo avançado é uma película ultrafina voltada para o tratamento de feridas complexas, como o pé diabético – condição que causa mais de 28 amputações diárias no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde. Com a aplicação direta no ferimento, o produto promove a regeneração celular, liberando compostos bioativos que aceleram a cicatrização da área.

Silva detalha que o produto está passando por validações reais com pacientes para criar base de dados regulatória. “Queremos minimizar também essa questão da amputação e atrelada a isso, o custo”, ressalta o cofundador, afirmando que o curativo deve custar entre R$ 60 e R$ 70.

Já o sérum regenerativo, que está em comercialização local por R$ 99, utiliza óleos de copaíba, pracaxi, castanha-do-brasil e extrato de cumaru. Definido pelo cofundador como um “booster de hidratação profunda”, o produto tem produção atual de 100 unidades mensais enquanto a empresa estrutura seu e-commerce.

Entre 2024 e 2025, a startup já captou R$ 190 mil em recursos para maturação tecnológica. Os planos da BioSpin envolvem o escalonamento industrial e a internacionalização das tecnologias. De acordo com o cofundador, o objetivo é alcançar o nível TRL 7 (fase de demonstração de um protótipo em ambiente operacional) na linha de curativos, considerando que o produto se encontra em estágio de validação atualmente.

Silva projeta que o crescimento da empresa será o motor para a dignidade dos povos da floresta. “Precisamos escalar para chegar a um outro patamar, que não vai parar no contexto local e nacional”, frisa. Como pilar de sustentabilidade, a startup vai investir 5% do lucro anual em comunidades extrativistas da Amazônia. “É, de fato, se tornar uma empresa de biotecnologia mundial com impacto local, valorizando quem está coletando os nossos ativos”, afirma.