Revestimento transparente mantém morangos mais frescos do que na geladeira
Os morangos parecem carregar uma bênção e uma maldição: Um dos frutos mais desejados do mundo, é também um dos menos duráveis, muitas vezes deteriorando-se antes que tenhamos a oportunidade de desfrutar deles.
Para tentar estender a vida útil dos morangos e tentar diminuir o prejuízo dos mercados, Ivy Chiu e colegas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, criaram agora um revestimento comestível que consegue manter os morangos frescos por pelo menos quatro dias à temperatura ambiente.
Derivado de algas marinhas, o revestimento é comestível – você não precisa se preocupar em retirá-lo – e faz os morangos superarem a vida útil até mesmo dos morangos sem cobertura armazenados na geladeira.
Manter temperaturas baixas desde a fazenda até o armazém, do caminhão até o supermercado, exige energia e infraestrutura significativas, especialmente para produtos frescos transportados por longas distâncias, aumentando os custos e o preço com que a fruta chega aos consumidores. O revestimento resolve esses problemas a um custo muito baixo.
[Imagem: Clare Kiernan/UBC]
Morangos não mofados
O revestimento é feito de ágar, uma substância derivada das algas vermelhas e amplamente utilizada como alternativa vegana à gelatina e como espessante em alimentos como pudins e gelatinas.
Por si só, o ágar forma um gel espesso. Mas Chiu o combinou com zinco, um nutriente essencial, e ácido tânico, um composto vegetal natural encontrado nas uvas e no chá. O material se transformou, auto-organizando-se em minúsculas micropartículas que criam uma fina camada protetora ao redor da fruta.
“Foi emocionante observar as partículas se auto-organizarem em tempo real, transformando-se de um líquido turvo e leitoso nessa camada protetora incrivelmente uniforme,” contou a pesquisadora. “Até onde sabemos, ninguém havia produzido um revestimento de micropartículas à base de ágar como este antes.”
Ao longo de quatro dias à temperatura ambiente, os morangos revestidos perderam menos da metade da água em comparação com as frutas não revestidas, e permaneceram visivelmente mais firmes, com maior preservação da vitamina C e dos antioxidantes – os morangos não tratados, armazenados à temperatura ambiente, começaram a mofar em dois dias. Fatias de maçã e uva apresentaram benefícios semelhantes, com melhorias que duraram de 24 horas na maçã cortada, até incríveis 14 dias nas uvas.
A equipe de pesquisa está agora testando o revestimento em outras frutas e vegetais e investigando como ele poderia ser ampliado, testado e integrado aos sistemas alimentares comerciais.
Artigo: Self-Assembled Metal-Phenolic-Agar Microparticle-Derived Coatings Enable Scalable and Sustainable Fresh Produce Preservation
Autores: Ivy Chiu, Mohammad Kamali, Qingshi Tu, Tianyu Wang, David D. Kitts, Xiwen Wang, Ling Guo, Tianxi Yang
Revista: Journal of Agricultural and Food Chemistry
DOI: 10.1021/acs.jafc.6c06531
