Quanto as geleiras do mundo diminuíram em 2025?
Dados coletados durante meio século mostram derretimento progressivamente acelerado e estimativas do aumento do nível do mar ao longo das últimas décadas
O ano de 2025 pode já ser considerado como um dos piores da história em termos de perda global de gelo. Derretimentos de geleiras persistem em taxas alarmantes, de forma que o planeta perdeu cerca de 408 bilhões de toneladas (408 Gt) de gelo apenas no ano hidrológico passado. É o sexto pior ano desde que essas taxas começaram a ser registradas, em 1975.
Esses dados são de um novo estudo, publicado em 7 de abril na revista científica Nature Reviews Earth & Environment, que avalia mudanças anuais sobre derretimento de gelo e aumento do nível do mar no mundo. No geral, as informações fornecem comparações preocupantes sobre o aumento das temperaturas do planeta em relação às últimas décadas.
Derretimento em meio século
Para a obtenção das informações publicadas no estudo, a de pesquisadores que compõe atividades no Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS) combinaram observações de campo com dados de satélite de todo o planeta.
A extensão dos registros, que são feitos há mais de 50 anos, permite ter uma noção da gravidade das consequências do aquecimento global. O aumento do nível do mar, por exemplo, teve uma elevação equivalente a 1,1 milímetros no último ano. Isso pode até parecer pouco, porém a variação total desde o início dos registros foi de mais de 2,6 centímetros.
Seguindo essa mesma lógica, estima-se que o total de gelo derretido desde a metade da década de 1970 seja de mais de 9,5 trilhões de toneladas (9.583 Gt). Para piorar, os seis anos com os maiores índices de perda de gelo ocorreram nos últimos sete anos.
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“As geleiras estão entre os indicadores mais claros das mudanças climáticas, e agora estamos testemunhando uma perda de gelo global sem precedentes Essas mudanças não estão apenas remodelando as paisagens montanhosas, mas também contribuindo significativamente para a elevação global do nível do mar e afetando os recursos hídricos de milhões de pessoas”, afirma Levan Tielidze, um dos autores do estudo internacional, em comunicado.
O oeste do Canadá e dos EUA, assim como Islândia e Europa Central, foram as regiões com as maiores taxas de perda de massa média de gelo por área regional em 2025.
Gelo desce, água sobe
Tielidze diz que, mesmo que as temperaturas se estabilizem imediatamente, uma considerável massa glacial já está comprometida a derreter posteriormente. Ainda assim, os novos dados destacam a necessidade de um “compromisso de longo prazo” em diminuir as perdas de geleiras.
O derretimento de geleiras e o consequente aumento do nível do mar num período tão curto de tempo podem impactar outras estruturas hidrológicas naturais como aquíferos de água doce e destruição de ecossistemas inteiros – como os manguezais –, além dos impactos sociais e econômicos envolvidos na manutenção de populações costeiras.
