Qual o tamanho da área devastada por incêndios na Patagônia argentina esta semana
Chuvas pontuais aliviam moradores, mas seca histórica, evacuações e riscos ambientais mantêm o alerta máximo no sul do país
Uma série de incêndios florestais avança sobre o sul da Argentina e já devastou mais de 15 mil hectares na região da Patagônia apenas nesta semana. As chamas atingem principalmente a província de Chubut, no sul do país, onde o fogo segue fora de controle em áreas montanhosas dos Andes e em unidades de conservação ambiental. Apesar de chuvas pontuais registradas no domingo (11), a situação continua crítica, segundo autoridades locais.
O maior foco teve início na última segunda-feira(12), próximo à pequena cidade de Epuyén, e já consumiu cerca de 11.980 hectares, de acordo com o serviço de bombeiros de Chubut. Um segundo incêndio, ainda sem dimensão oficial divulgada, atinge áreas do Parque Nacional Los Alerces, uma das regiões naturais mais importantes do país, conhecida por suas florestas de árvores milenares.
Outros dois incêndios seguem ativos nas províncias de Chubut e Santa Cruz, somando aproximadamente 3.800 hectares queimados, segundo a agência argentina de gestão de emergências. Ao todo, mais de 500 bombeiros, socorristas, policiais e agentes de apoio estão mobilizados no combate às chamas, com o auxílio de dezenas de moradores locais que atuam na linha de frente.
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A chuva que caiu em partes da Patagônia trouxe um breve alívio para a população. “Estamos muito felizes; esperamos que continue assim”, afirmou à AFP o guia de passeios a cavalo Atilla Missura, de 59 anos, morador de Rincón de Lobos, uma das áreas mais afetadas. Ainda assim, os incêndios seguem sendo alimentados por vegetação extremamente seca e por condições climáticas desfavoráveis.
Em entrevista a uma rádio local, o governador de Chubut, Ignacio Torres, disse que o cenário estava “mais calmo” na manhã de domingo, mas alertou que a situação “continua muito crítica”. Torres destacou que a província enfrenta a pior seca desde 1965 e pediu que a população e as autoridades “nunca mais minimizem as implicações das mudanças climáticas”.
Os impactos humanos também são graves. Um bombeiro voluntário que atuava próximo a Epuyén permanece internado em terapia intensiva com queimaduras severas. Cerca de 3.000 turistas precisaram ser evacuados nos últimos dias, e ao menos dez casas foram destruídas pelo fogo.
Segundo dados do governo provincial, apenas no início de 2025 a região já havia perdido cerca de 32 mil hectares para incêndios florestais, um número que reforça o alerta de especialistas sobre a intensificação desses eventos extremos na Patagônia, historicamente conhecida por seu clima frio e úmido. Hoje, o avanço do fogo revela uma paisagem cada vez mais vulnerável aos efeitos do aquecimento global.
