Psoríase pode atingir até 43 mil pessoas no estado da Paraíba

Psoríase pode atingir até 43 mil pessoas no estado da Paraíba

Sociedade Brasileira de Dermatologia promove campanha de conscientização contra preconceito à doença

Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revelam que, aproximadamente, 1,06% da população paraibana tem psoríase, doença cuja incidência é maior entre os idosos e acomete igualmente homens e mulheres. Isso equivale a aproximdamente 43 mil pessoas, considerando a estimativa populacional do estado, de 4.059.905 habitantes.

O Dia Nacional e Mundial da Psoríase é comemorado no dia 29 de outubro, cuja data tem o objetivo promover uma maior conscientização e reduzir o preconceito sobre a doença. Na Paraíba, a programação definida para rede pública inclui ações de divulgação e capacitação de profissionais sobre o assunto, devido a relevância de ampliar as informações sobre o diagnóstico e tratamento adequado para a doença, uma vez que nem todos os casos são diagnosticados.

A presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia/ Regional Paraíba (SBD/PB), Flávia Estrela, informou que, devido à pandemia da covid-19, a programação planejada pela entidade será totalmente on-line, através das próprias redes sociais, com postagens com esclarecimentos sobre a psoríase (causa, sintomas, dúvidas frequentes).

De acordo com a gerente operacional de Atenção às Condições Crônicas da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), Kamilla Capistrano, os sintomas da psoríase são lesões que, geralmente, aparecem nos joelhos, cotovelos, unhas, mãos, pés e couro cabeludo, podendo atingir todo o corpo. É uma doença comum e atinge todos os sexos, desde criança até idosos.

Segundo a profissional, são inúmeras as opções de tratamentos, que sempre devem ser prescritos por um médico. “Pacientes com psoríase têm mais chance de desenvolver artrite psoriática, diabetes, doença de Crohn, doenças cardiovasculares, obesidade e até depressão, caso não receba o tratamento adequado”, ressaltou. O atendimento à psoríase está disponível à população na rede pública. As pessoas que apresentarem os sintomas devem procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima, onde receberá o atendimento, podendo ser encaminhada para outros serviços.

Histórico familiar aumenta chance

Trata-se de uma doença multifatorial, ou seja, é preciso a compreensão de vários fatores para o seu surgimento. E a hereditariedade tem um papel fundamental já que a predisposição genética é responsável pelo surgimento de aproximadamente 30% dos casos. Cerca de um terço dos pacientes têm parentes com psoríase, sendo muitos deles familiares de primeiro grau. Portanto, os filhos de pais com psoríase possuem maior chance de desenvolver a doença.

Além do histórico familiar, várias condições podem aumentar as chances de surgir a doença ou piorar o quadro clínico já existente: estresse; obesidade(excesso de peso pode aumentar risco e pacientes com psoríase tendem a apresentar peso acima do ideal); tempo frio(a pele fica mais ressecada e a psoríase pode melhorar com a exposição solar); Infecções diversas; Medicamentos (mais comuns : antimaláricos, para hipertensão e lítio); consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo, além de outros fatores ambientais e comportamentais.

Até 30% dos pacientes com psoríase podem apresentar problemas nas articulações, levando à artrite psoriásica. Por isso, especialistas alertam sobre a importância do diagnóstico precoce para iniciar o tratamento adequado. “A doença não tem cura, mas tem tratamento e é controlável. É uma doença crônica, que, geralmente, vai acompanhar a pessoa por muitos anos ou por toda vida, embora haja formas menos frequentes que se curam em poucos meses”, destacou Luciana Trindade.

Patologia não é contagiosa

A psoríase tem causas genéticas, a partir de um desequilíbrio imunobiológico, mas fatores ambientais e o stress podem piorar os sintomas.

Conforme a dermatologista Luciana Trindade, a psoríase não é contagiosa, porém, como muitas dermatoses, por estar visível, estimula atitudes de discriminação por parte da sociedade em relação aos pacientes e isso se explica pelo medo do contágio. “Daí a importância de todos procurarem entender sobre essa e outras doenças, para não aumentarem o sofrimento de quem as apresenta”, destacou.

Por isso, em alguns casos, é indicado um acompanhamento psicológico aliado a medicação. Além disso, as Sociedades de Especialidades Médicas, entre elas a SBD, promovem anualmente várias campanhas com o intuito de divulgar sobre as doenças, a fim de estimular a busca pelo tratamento, o autocuidado e melhorar o conhecimento, para diminuir a discriminação. No tocante à psoríase, o mês alusivo a ela é outubro.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça que o contato com pacientes não precisa ser evitado e quem tiver a doença pode e deve conviver normalmente com outras pessoas.

Tratamento

Existem vários tipos de psoríase que variam conforme a localização e características as lesões, sendo, assim, necessário procurar um dermatologista para indicar a melhor opção terapêutica: psoríase em placas (lesões de tamanhos variados e avermelhadas, com escamas no couro cabeludo, joelhos e cotovelos); psoríase artropática (dor nas pontas dos dedos das mãos e dos pés ou nas articulações do joelho); psoríase gutata(pequenas l esões em forma de gotas, associadas a processos infecciosos, geralmente no tronco, braços e coxas);psoríase eritrodérmica(lesões generalizadas em 75% ou mais do corpo), psoríase ungueal(depressões puntiformes ou manchas amareladas principalmente nas unhas das mãos);psoríase invertida(lesões mais úmidas, em áreas de dobras como couro cabeludo, joelhos e cotovelos); psoríase pustulosa(lesões com pus nos pés nas mãos ou espalhadas pelo corpo) e psoríase palmo-plantar(lesões nas palmas das mãos e solas dos pés).

A doença se manifesta desde formas leves e facilmente tratáveis (localizadas) até mais graves que levam à incapacidade física, acometendo as articulações (em grande área do corpo). Uma pesquisa da SBD registrou que a doença se desenvolve quando os linfócitos T (células responsáveis pela defesa do organismo) liberam substâncias inflamatórias que dilatam os vasos sanguíneos e dirigem outras células do sistema de defesa para pele, como neutrófilos.

Este ataque inflamatório à pele faz com que esta acelere sua proliferação, resultando nadescamação vista nas lesões. Os sintomas podem melhorar assim como os pacientes estão sujeitos a recaídas, relacionadas a traumas (físico, químico, queimadura solar), infecções, drogas, estresse emocional e outras razões.

A psoríase é uma doença crônica e na há como preveni-la. Mas, os tratamentos permitem um controle e melhoria na qualidade de vida, reduzindo a quantidade e a gravidade das lesões. A melhora até o desaparecimento dos sintomas são estimulados por uma alimentação balanceada e atividade física.

Problema inflamatório

A Associação Brasileira de Psoríase, Artrite Psoriásica e de outras Doenças Crônicas de Pele (Psoríase Brasil), a psoríase é uma doença inflamatória, sistêmica, crônica, autoimune, cujos sintomas são placas avermelhadas espessas na pele, cobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas.

Estas lesões avermelhadas na pele podem vir acompanhadas de coceira, dor, queimação, descamação, além de inchaços e rigidez nas articulações. É uma doença não contagiosa e cíclica, isto é, seus sintomas desaparecem e reaparecem periodicamente.

Para a dermatologista Luciana Trindade, a psoríase é uma doença de natureza imunomediada, e acredita-se que haja influência genética no padrão da resposta de inflamação, gerando as lesões na pele e, para alguns pacientes, acometimento também das articulações e os fatores ambientais funcionarão como estimulantes ou agravantes da doença. SBD estima que a psoríase atinja entre 1% a 5% da população mundial. No Brasil, aproximadamente 2,5 milhões de pessoas são acometidas por esta patologia, que é bem mais comum no adulto do que na criança. Nos adultos, tendem a surgir antes dos 30 anos de vida ou após os 65 anos”, completou a médica Luciana Trindade.