Projeto implanta Unidades Demonstrativas de agrofloresta na Mata Atlântica para capacitar agricultores familiares

Projeto implanta Unidades Demonstrativas de agrofloresta na Mata Atlântica para capacitar agricultores familiares

Plantio faz parte de ações voltadas à capacitação técnica de agricultores familiares; pelo menos 581 famílias foram impactadas.

O SiAMA (Sistemas Agroflorestais na Mata Atlântica), projeto executado pela Agroicone e financiado pelo fundo britânico UK PACT (Partnering for Accelerated Climate Transitions), implantou 22 Unidades Demonstrativas (UDs) de agroflorestas em regiões da Mata Atlântica entre 2021 e 2022, o equivalente a cerca de 11 campos de futebol. As UDs são áreas de plantio de sistemas agroflorestais (SAFs) que podem ser visitadas com finalidades de divulgação, difusão de conhecimento e extensão técnica.

Os plantios, que incluíram métodos de restauração florestal, aconteceram nos estados do Rio de Janeiro (16), Bahia (3), São Paulo (2) e Paraná (1), localidades em que o SiAMA promove ações para dar escala aos SAFs. A implantação das UDs faz parte de atividades de capacitação técnica que beneficiaram pelo menos 581 famílias de agricultores em um ano. Ao promover as agroflorestas, sistemas produtivos que combinam o uso de árvores e culturas agrícolas em uma mesma área, o projeto busca contribuir para o enfrentamento às mudanças climáticas e estimular a geração de renda das comunidades locais.

“A ideia é que as pessoas que participaram das implantações possam se beneficiar das agroflorestas por meio do manejo e da extração de seus produtos através do que chamamos de restauração florestal produtiva. Ou seja, a comercialização destes produtos, tanto in natura como de forma beneficiada, pode trazer geração de renda para estas comunidades, ao mesmo tempo em que promove a conservação do bioma”, explica Ana Loreta Paiva, Gestora de Projeto do SiAMA.

Para a realização destas atividades o projeto organizou – junto a parceiros como a ONG Iniciativa Verde e o Movimento de Defesa de Porto Seguro (MDPS) – os chamados mutirões agroflorestais, estratégia utilizada por agricultores familiares que envolve mobilizar pessoas em atividades de plantio e preparo de canteiros. Além de driblar a falta de recursos financeiros e mão de obra, esse método colaborativo contribui para estreitar os laços entre os agricultores de uma comunidade.

Para Neusa Benevides Marcelino, agricultora da Associação de Agricultores do Fojo (AFOJO) que participou de um mutirão em Guapimirim, no Rio de Janeiro, a rapidez com que o plantio aconteceu foi surpreendente: “Sozinha não conseguiria fazer a minha agrofloresta. Com essa ajuda, foi possível implantar um sistema agroflorestal em dois dias. Esse projeto está dando mais ânimo para trabalharmos”.

Segundo o agricultor Gabriel Carneiro, também da AFOJO, a autonomia concedida pelo projeto aos agricultores foi fundamental para o sucesso do mutirão: o que a princípio seria uma Unidade Demonstrativa de 1 ha de agrofloresta, se transformou em 10 UDs de 1.000 m² cada, beneficiando a comunidade local com o cultivo de culturas como café, banana, jussara, cítricos e cacau.

“Não queríamos que a agrofloresta ficasse centralizada na casa de um agricultor só, então sugerimos ao SiAMA que o plantio fosse feito em várias áreas. Esse projeto veio com uma característica muito legal, que foi a liberdade de nós, agricultores, gerirmos o recurso a partir do nosso conhecimento local e da nossa necessidade real. Tivemos a liberdade de escolher qual tipo de adubação queríamos fazer e como desenharíamos as agroflorestas”, conta Carneiro.

O SiAMA documentou em uma série de vídeos no YouTube (clique aqui para assistir) a implantação das Unidades Demonstrativas. Essas atividades fazem parte do pilar de capacitação do projeto, que inclui oficinas práticas e teóricas, a publicação de materiais técnicos (como o Guia de Agrofloresta na Mata Atlântica e uma série de cartilhas de agrofloresta, disponíveis online) e a aplicação de um curso introdutório sobre a comercialização de produtos agroflorestais em modalidade EaD (ensino à distância).

O SiAMA atua ainda por meio dos pilares de mercados, que busca promover a viabilidade econômica dos produtos da agrofloresta de forma a estimular a geração de renda, e governança, que visa promover a agrofloresta como estratégia de desenvolvimento regional por meio da mobilização de redes territoriais compostas por organizações locais, governos, associações de agricultores e cooperativas.

Todas as atividades do SiAMA são norteadas pelo componente GESI (sigla em inglês que significa Igualdade de Gênero e Inclusão Social) e buscam apoiar e empoderar, em especial, pessoas em risco de exclusão e/ou desvantagem social e econômica, como agricultores familiares, mulheres e comunidades tradicionais (quilombolas, caiçaras e indígenas).

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