Projeto com pescadores artesanais que alia renda e preservação retira mais de 160 toneladas de lixo no litoral de SP
Iniciativa limpa manguezais e áreas costeiras; embalagens e descartáveis lideram materiais recolhidos
Uma iniciativa voltada à conservação marinha no litoral de São Paulo atingiu a marca de 164 toneladas de resíduos retirados do meio ambiente desde 2023. O programa Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Mar Sem Lixo, coordenado pela Fundação Florestal, atua em parceria com 344 pescadores artesanais cadastrados, que recebem compensação financeira para recolher lixo de áreas costeiras e manguezais. Até o momento, foram repassados mais de R$ 1,2 milhão aos profissionais participantes.
O balanço mais recente aponta um crescimento nas ações. Entre fevereiro e abril de 2026, período que coincide com o defeso do camarão, foram recolhidas 43 toneladas de resíduos em seis municípios paulistas: Ubatuba, São Sebastião, Cananeia, Guarujá, Bertioga e Itanhaém. O volume representa uma alta de 12,9% em comparação ao mesmo período de 2025.
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Impacto nos manguezais e o perfil dos resíduos
Os manguezais concentram o maior volume de poluição recolhida. Do total de material retirado desde o início do programa, 75% (123 toneladas) vieram exclusivamente desse ecossistema, que atua como berçário natural para espécies marinhas, barreira contra erosão e retentor de carbono.
A análise dos materiais recolhidos revela o perfil do descarte inadequado na região:
Plásticos: Correspondem a 97% dos resíduos encontrados nos manguezais.
Uso único: Cerca de 70% são itens descartáveis.
Embalagens de alimentos: Lideram o ranking, representando 43,1% do total.
Copos descartáveis: Equivalem a 16,7%.
Resíduos de bebidas alcoólicas: Somam 12,7%.
“O programa demonstra que conservação ambiental e desenvolvimento social caminham juntos. Os pescadores artesanais conhecem profundamente esses territórios e se tornaram protagonistas na proteção dos manguezais e do ambiente marinho”, destaca Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal.
A fragmentação desses materiais agrava o cenário ecológico local, conforme alerta a coordenação do projeto.
“O lixo que chega aos manguezais muitas vezes começa com o descarte irregular nas cidades. Quando esses resíduos chegam fragmentados ao ambiente marinho, o impacto para a fauna e para os ecossistemas costeiros é ainda maior”, explica Sandra Leite, coordenadora do PSA Mar Sem Lixo.
O recolhimento ocorre em duas frentes. Durante o período de defeso, quando a pesca comercial do camarão é suspensa para a reprodução da espécie, os pescadores cadastrados dedicam-se aos mutirões de limpeza fixos nos manguezais. No restante do ano, a remuneração é paga pelo lixo que os profissionais recolhem involuntariamente em suas redes durante a atividade regular de pesca de arrasto.
