Pela 1ª vez, enorme quantidade de água é encontrada debaixo do gelo da Antártida

Pela 1ª vez, enorme quantidade de água é encontrada debaixo do gelo da Antártida

Se água subterrânea fosse deslocada para a superfície, poderia formar lago com uma profundidade equivalente a quase dois prédios Empire State em sua parte mais funda

Nas profundezas da camada de gelo que cobre a Antártida, existe uma enorme quantidade de água. A descoberta impressionou os cientistas e revela uma parte ainda inexplorada do continente gelado, podendo ainda ter implicações em como a região reage aos desdobramentos da crise climática.

Esta é a primeira vez que foi encontrado uma grande quantidade de água em estado líquido nos sedimentos abaixo do gelo. Nos últimos anos, pesquisadores observaram a existência de lagoas e rios correndo pelo continente, mas nunca antes haviam descoberto águas subterrâneas, como fez este novo estudo publicado na revista Science nesta semana.

Segundo a principal autora da pesquisa, Chloe Gustafson, que é pesquisadora na Universidade da Califórnia, nos EUA, na Antártida há 57 metros de potencial de aumento do nível do mar, portanto, é essencial que a ciência esteja ciente de todos os processos de troca de gelo e água entre o continente e o oceano para prever melhor como será o futuro da região.

Os autores do novo estudo passaram seis semanas mapeando os sedimentos sob o gelo, informa a CNN internacional. Durante esse período, usaram instrumentos colocados diretamente na superfície para executar uma técnica chamada “imagem magnetotelúrica”, que detecta os diferentes graus de energia eletromagnética conduzida pelo gelo, sedimento, água doce e água salgada no leito rochoso e cria um mapa a partir dessas diferentes fontes de informação.

As descobertas são de enormes proporções. Pelos cálculos dos pesquisadores, se fosse possível espremer a água subterrânea dos sedimentos mapeados e levá-la até a superfície, essa água formaria um lago que teria entre 220 e 820 metros de profundidade.

“Na parte rasa, a água subiria até a metade do tamanho do Empire State. Na parte mais profunda, são quase dois Empire State empilhados um em cima do outro. Isso é significativo porque os lagos subglaciais que existem hoje nesta área têm de 2 a 15 metros de profundidade. Isso são apenas um a quatro andares do Empire State.”

O estudo aponta que a água do oceano provavelmente chegou a essa parte subterrânea da Antártica durante um período quente, que aconteceu entre 5 e 7 mil anos atrás, saturando o sedimento com água salgada. Quando o gelo avançou, a água fresca derretida produzida pela pressão de cima e a fricção na base do gelo foi forçada para os sedimentos superiores. E, segundo os pesquisaodres, provavelmente continua a filtrar e a se misturar às águas subterrâneas ainda hoje.