O superalimento do mar proteico e com pouquíssimas calorias
Embora façam parte de pratos tradicionais em diferentes culturas gastronômicas — sobretudo em regiões costeiras —, os mexilhões costumam ficar relegados a segundo plano diante de outros frutos do mar mais populares ou caros. No entanto, longe de exercerem um papel secundário na cozinha, especialistas em nutrição os consideram um alimento de alta densidade nutricional, por sua capacidade de concentrar múltiplos benefícios em poucas calorias.
Ricos em proteínas de alto valor biológico, vitamina B12 e minerais essenciais como ferro e zinco, os mexilhões não apenas agregam sabor, mas também oferecem uma dose relevante de nutrientes fundamentais para o funcionamento do sistema nervoso, a formação de glóbulos vermelhos e a resposta imunológica.
Do ponto de vista biológico, os mexilhões são moluscos bivalves — ou seja, organismos marinhos ou de água doce protegidos por uma concha dividida em duas valvas — que vivem aderidos a superfícies firmes, como rochas ou pilares. Existem numerosas espécies distribuídas por diferentes ecossistemas, tanto em águas temperadas quanto frias, doces ou salgadas.
Entre as variedades mais frequentes destaca-se o mexilhão-azul (Mytilus edulis), de tamanho pequeno e com concha azul-escura a preta, predominante nas costas do Atlântico Norte e do norte da Europa. Há também o mexilhão-do-Mediterrâneo (Mytilus galloprovincialis), de corpo maior, tons violáceos e muito presente nos litorais do sul da Europa. Na América do Sul, por sua vez, é característico o mexilhão-chileno (Mytilus chilensis), uma variedade nativa das águas frias do Pacífico que se estendem entre Chile e Peru, onde é conhecido como “chorito” e muito valorizado na culinária local.
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Benefícios
Os mexilhões, de acordo com a médica clínica especialista em nutrição Ana Cascú, são relativamente baixos em calorias (cerca de 172 calorias a cada 100 gramas), contêm proteínas de alta qualidade, concentram micronutrientes-chave como vitamina B12, ferro, zinco e selênio e, além disso, possuem ácidos graxos ômega-3 (em menor quantidade que o salmão ou a sardinha e em maior proporção que amêijoas, camarões ou vieiras).
— Por essa combinação, podem ser considerados um alimento de alta densidade nutricional.
1. Altamente proteicos
A proteína é o macronutriente predominante nesse alimento, representando cerca de 15% de uma porção, explica Cascú. Além disso, acrescenta a nutricionista, trata-se de uma proteína completa, de alto valor biológico, que fornece todos os aminoácidos essenciais em quantidades relevantes.
— Os mexilhões são uma excelente fonte proteica, fundamental para ajudar o corpo a reparar tecidos e ganhar massa muscular — afirma Milagros Sympson, nutricionista.
Entre os aminoácidos essenciais que contêm, destaca-se o aporte de leucina, lisina e valina
2. Ricos em vitamina B12
Outro ponto importante ao considerar esse molusco é seu aporte de vitamina B12, essencial para a formação de glóbulos vermelhos, a função neurológica e o metabolismo energético, indica Cascú.
Na mesma linha, Christopher Golden, especialista em saúde planetária e alimentos aquáticos da Escola de Saúde Pública T.H. Chan, da Universidade Harvard, observa que uma única porção de mexilhões contém toda a vitamina B12 necessária em um dia, seguida na lista por ostras, amêijoas e vieiras.
3. Fonte nobre de minerais
Segundo Cascú, os mexilhões também se destacam pelo aporte de ferro, cujo papel é fundamental no transporte de oxigênio e na prevenção da anemia; de zinco, com função crucial no sistema imunológico e na atividade enzimática; e também de selênio, um micronutriente essencial para a função da tireoide.
Consumo e recomendações
Além da alergia a frutos do mar, os principais riscos associados ao consumo de mexilhões não dependem do alimento em si, mas da segurança alimentar, afirma Cascú.
— O consumo de mexilhões crus ou malcozidos pode estar associado a intoxicações por toxinas marinhas ou contaminação bacteriana. É fundamental consumi-los cozidos e controlar sua origem.
Quanto ao método de preparo, a especialista prefere os mais suaves, como o vapor, a fervura ou o salteado, que preservam as proteínas e os micronutrientes sem prejudicar o perfil lipídico.
— A fritura aumenta o aporte calórico e altera as cadeias químicas das gorduras boas — alerta.
