‘No Clima da Caatinga’ inicia nova fase de ações para conservação

‘No Clima da Caatinga’ inicia nova fase de ações para conservação

Associação Caatinga, Organização da Sociedade Civil cearense, iniciou, em agosto de 2021,  a quarta fase do projeto “No Clima da Caatinga“, iniciativa patrocinada pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O projeto visa a redução dos efeitos potencializadores do aquecimento global por meio da conservação do Semiárido, a partir do desenvolvimento de um modelo integrado de conservação da Caatinga.

Na nova etapa, que terá a duração de três anos, o projeto, que atua no Semiárido nordestino desde 2011, vai promover ações que vão desde a restauração florestal até a distribuição de tecnologias sociais de convivência com o semiárido e adaptação às mudanças climáticas.

A base central do trabalho realizado fica na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), unidade incluída na categoria Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Gerida pela Associação Caatinga desde 2000, a área possui 6.285 hectares de extensão e fica entre Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI). Ao redor da RPPN existem 40 comunidades rurais que abrigam aproximadamente 4 mil famílias.

Em fases anteriores, foi registrado o sequestro e emissão evitada de aproximadamente 615 mil toneladas de gás carbônico e a manutenção de serviços ecossistêmicos como a segurança hídrica na região. “O projeto tem contribuído para reescrever a relação do sertanejo com o bioma Caatinga. A ideia é estimular um desenvolvimento sustentável na região”, pontua o coordenador geral da Associação Caatinga, Daniel Fernandes.

Sete eixos de atuação:

  • Gestão e criação de unidades de conservação
  • Restauração florestal
  • Educação ambiental
  • Disseminação de tecnologias sociais de convivência com o semiárido
  • Fomento à pesquisa científica
  • Incentivo a políticas públicas socioambientais
  • Campanhas de comunicação

As ações voltadas para a linha de conservação estarão focadas no monitoramento e aprimoramento da gestão de cinco RPPNs, que são áreas legalmente protegidas.

O “No Clima da Caatinga” também irá produzir e plantar cinco mil mudas de espécies nativas da Caatinga. A área beneficiada será a Reserva Natural Serra das Almas e escolas no entorno. A unidade de conservação também será palco para pesquisas científicas que envolvem a observação de primatas e felinos de grande porte por meio de armadilhas fotográficas (câmeras ativadas por sensores de calor e movimento).

Já as ações de educação e conservação ambiental realizadas pelo projeto irão promover atividades contextualizadas para diferentes públicos, em especial para os de primeira infância e para as mulheres, estimulando empoderamento e ações empreendedoras. Serão produzidos materiais educativos sobre a Caatinga voltados para educadores. Também serão elaborados vídeos com imagens em 360º da RNSA e da exposição interativa “Caatinga – um novo olhar“, para disseminar conhecimentos sobre o bioma de forma lúdica para mais pessoas.

“O No Clima da Caatinga contribui para o incremento da resiliência e capacidade de adaptação de comunidades rurais à semiaridez e mudanças climáticas e ao mesmo tempo gera novas oportunidades de inclusão social, geração de renda e bem-estar de famílias do Semiárido nordestino”, afirma Samuel Portela, coordenador técnico da Associação Caatinga.

Prêmios

O “No Clima da Caatinga” já foi agraciado com sete prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais. Em 2014, ainda na segunda fase, o projeto recebeu o título Dryland Champions, da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) / Ministério do Meio Ambiente (MMA), pela relevância das ações de combate à desertificação. Ainda no mesmo ano, a iniciativa recebeu, da Presidência da República, o Prêmio ODM Brasil, pela importante contribuição do projeto para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

No ano seguinte, conquistou o Prêmio Von Martius de Sustentabilidade, um dos maiores reconhecimentos na área ambiental do Brasil. Também em 2015, a proposta angariou o apoio do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal para recuperar nascentes do Semiárido e desenvolver ações de reúso de água em pequenas hortas e pomares.

Nas primeiras fases, o projeto foi certificado duas vezes, em 2013 e 2015, pelo Banco de Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil, pela disseminação da técnica de gestão de resíduos sólidos e de fogões ecoeficientes.

Em 2019, foi um dos vencedores do prêmio “Experiências inovadoras para a promoção do desenvolvimento sustentável“, uma honraria organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Associação Caatinga

A Associação Caatinga (AC) foi fundada no Ceará em 1998 com o apoio do Fundo Samuel Johnson para a Conservação da Caatinga, tendo a missão de promover a conservação das terras, florestas e águas da Caatinga para garantir a permanência de todas as suas formas de vida. É uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, que atua há 22 anos na conservação e valorização da única floresta exclusivamente brasileira, ameaçada e que concentra a maior biodiversidade dentre as regiões semiáridas do planeta.