Anchor Deezer Spotify

Metade das populações de espécies migratórias protegidas estão em declínio, diz novo relatório

Metade das populações de espécies migratórias protegidas estão em declínio, diz novo relatório

Degradação de habitats impacta animais viajantes, alerta convenção da ONU; espécie de boto da Amazônia é citado como exemplo deste impacto negativo

Mesmo as espécies migratórias sob proteção de tratados de preservação estão em declínio, alerta documento publicado nesta quinta-feira (04/03) pela CMS, convenção das Nações Unidas dedicada a discutir a proteção destes animais.

Uma atualização preliminar do relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo de 2024 aponta que metade (49%) das populações de espécies migratórias protegidas estão em declínio, um aumento de 5% em apenas dois anos, comparado a aferições anteriores.

Os dados mostram ainda um leve aumento na porcentagem de espécies protegidas à beira da extinção: 24%, um aumento de 2%, sendo os pássaros os mais afetados.

Os novos alertas serão apresentados na 15ª reunião da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens, a chamada COP15 do CMS, evento a ser realizado na cidade brasileira de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, de 23 a 29 de março. Com duração de uma semana, a conferência é considerada um dos encontros globais mais importantes para a proteção da vida selvagem.

“Bilhões de animais selvagens aquáticos, terrestres e aves migram por terra, rios, oceanos e céus. São essenciais para o bom funcionamento da natureza e para o bem-estar humano, polinizando plantas, transportando nutrientes, regulando ecossistemas, controlando pragas, armazenando carbono e sustentando meios de subsistência e culturas em todo o mundo. Sua sobrevivência depende de ações coordenadas ao longo de toda a extensão de suas rotas migratórias, que podem cruzar múltiplas fronteiras nacionais e até mesmo continentes”, afirma a CMS em comunicado.

Áreas vitais para a proteção das espécies no mundo precisam de mais proteção, ressalta o relatório, uma vez que 47% de territórios considerados chave estão desprotegidos.

A exploração excessiva, que gera a perda e a fragmentação de habitats são as maiores ameaças às espécies migratórias em todo o mundo, observa Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS.

“Esta atualização provisória mostra que o alarme ainda está soando. Algumas espécies estão respondendo a ações de proteção conjuntas, mas muitas continuam a enfrentar pressões crescentes em suas rotas migratórias. Devemos responder a essas evidências com ações internacionais coordenadas e eficazes.”

Apesar dos dados alarmantes, o relatório divulgado contém também casos de sucesso na proteção da biodiversidade. O quadro das tartarugas marinhas “parece estar melhorando”, afirma o documento. A proporção de unidades regionais de gestão de tartarugas marinhas classificadas como de “baixo risco/baixa ameaça” aumentou de 23% em 2011 para 40% em 2024. No mesmo período, as categorias de risco/ameaça melhoraram em 54% das áreas de proteção, piorando em 15% delas.

A captura acidental na pesca é considerada a pressão mais severa sobre todas as tartarugas marinhas, ressalta a publicação, citando dados da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Outra boa notícia vem dos esforços de proteção do antílope saiga, espécie atingida por uma doença severa na década passada, e que agora passou do status de “ameaçado” para “quase ameaçado”. A proteção de habitats no Cazaquistão, bem como a proibição da caça são apontados como fatores que contribuíram para este êxito.

No total, sete espécies na lista de vulneráveis da CMS melhoraram seus status de proteção desde 2022, informa o relatório, incluindo aves, mamíferos terrestres e marinhos.

O boto amazônico tucuxi (Sotalia fluviatilis), espécie considerada ameaçada de extinção pela CMS, enfrenta uma série de ameaças, ressalta a análise. O mamífero vem sendo alvo do emaranhamento acidental em equipamentos de pesca, da captura deliberada e da perda de conectividade do habitat na bacia do rio Amazonas, devido a atividades humanas como a construção de barragens.

Acesse aqui o documento completo.