Galo da madrugada traz estrutura 100% reciclada em 2026; confira como ficou símbolo do Carnaval no Recife
Escultura símbolo do Galo da Madrugada mobiliza cooperativas de catadores, tecnologia em 3D e cortejo inédito para reforçar mensagem de sustentabilidade
O Galo da Madrugada, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo, prepara para 2026 uma edição em que a escultura gigante montada na Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife, terá 100% da estrutura feita com materiais reciclados.
A meta é que todo o material seja coletado durante o próprio desfile deste ano, ampliando uma política de sustentabilidade que vem sendo adotada desde 2019. De acordo com a Agência Brasil, a escultura, que mede cerca de 32 metros de altura e pesa aproximadamente 9 toneladas, já vinha incorporando material reciclado nos últimos anos.
Para viabilizar a proposta, uma força-tarefa foi organizada com a participação de 300 trabalhadores de cooperativas de catadores e cerca de 100 catadores avulsos, que a garantia de compra direta das latinhas acima do preço de mercado.
Os foliões também foram convocados a participar da cadeia sustentável. A Prefeitura do Recife disponibilizou 14 ecoestações e mais de 130 Pontos de Entrega Voluntária para recolhimento de garrafas PET transparentes de dois litros, que integram a indumentária do Galo Gigante. Desde 2020, segundo a Agência Brasil, o bloco realiza a coleta seletiva de 100% dos resíduos sólidos gerados durante o desfile.
O artista plástico Leopoldo Nóbrega, responsável pelo design desde 2019, anunciou uma inovação para 2026: um cortejo inédito levará um coração cenográfico até a ponte para ser incorporado à escultura. O tema é “Galo Folião Fraterno”, e a alegoria homenageia Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife entre 1964 e 1985.
A escultura traz ainda elementos tecnológicos e simbólicos. Segundo o G1, parte da estrutura utiliza impressão em 3D com apoio de robótica, além de materiais reaproveitados como tampas de garrafa PET e CDs. Na cauda, leques inspirados na estrutura do DNA humano, e no pé da estátua, 27 estrelas representam os estados brasileiros.
O reaproveitamento de resíduos ganha novo significado a partir da criação artística.
“Todos os materiais que a gente usa são descartados naturalmente, não tem um valor, mas quando a arte passa por eles, quando é feito o artesanato, agrega um valor imenso, que é o valor do ser humano”, disse o artista plástico Leopoldo Nóbrega ao G1.
