Galega do Espaço
Gualberto Freire*
Artigo escrito originalmente em 20.11.2010 no Espaço Ecológico
Em meados da década de 60, vivenciava meus 13 a 15 anos. Naquela época as notícias eram veiculadas principalmente pelos jornais e rádio. A televisão dava seus primeiros passos no sentido de chegar até aos lares da população mais abastada do país.
Recordo muito bem da aventura de cortar algumas árvores na Mata do Buraquinho para preparar uma fogueira no dia de São João, vivenciada com alguns até hoje considerados bons amigos. Tal ignorância só é perdoada porque não existia uma educação voltada para a preservação ambiental.
Ressalta-se que na década de 60 a vida era mais pacata, não se tinha notícia do terrorismo que hoje assombra a população, nem a poluição que afeta todo mundo, muito menos o estresse cotidiano que o trânsito provoca e, principalmente, o temor das conseqüências que as mudanças climáticas, o aquecimento global e a escassez de água já afetam as atuais e futuras gerações.
No mundo moderno, apesar da evolução dos meios de comunicação, incluindo a internet, o cidadão global ainda não adquiriu, nem pratica na sua plenitude, ações consideradas ecologicamente corretas.
A imprensa ao longo desses anos foi dando ênfase a comemorações alusivas ao dia do trabalho, do meio ambiente, da árvore, da amizade, da fraternidade, do coração, contra a intolerância, e tantas datas criadas visando alertar o cidadão a refletir sobre o seu comportamento e ações cotidianas que lhe proporcionem uma melhoria na sua qualidade de vida, nem que seja por alguns minutos ou hora.
Nesse calendário de datas importantes, surge o dia 14 de novembro marcado por ações no mundo todo visando à conscientização da população para a prevenção e o controle do diabetes, e também, para os cães e gatos que precisam de cuidados especiais com relação à doença.
Por uma questão do destino, estava visitando o Espaço Cultural no dia comemorativo à prevenção e controle do diabetes, quando inexplicavelmente fui tomado pelo afago de uma cadela, carinhosamente chamada de Galega pelos comerciantes que trabalham nas vizinhanças.
O afago e o semblante cativante da cadela, com seus olhos marrons brilhando como a luz de uma estrela e com seu pelo liso e patas delicadas cobrando uma reciprocidade, foram tanto que eu não podia ter outra reação a não ser devolver com igual afeição, o carinho que Galega me proporcionou por alguns minutos, ao ponto de ter que diariamente passar no Espaço Cultural para ser retribuído com bons momentos de lazer junto com a Galega do Espaço.
*Gualberto Freire é diretor executivo do Espaço Ecológico e mestre de Engenharia de Produção
