Embora tenham como foco as abelhas, os dois estudos desenvolvidos na USP de Ribeirão Preto apresentam implicações que vão além desse grupo de insetos. Eles mostram que compreender a evolução exige combinar diferentes fontes de informação.
Enquanto a genômica revela as relações de parentesco, a fenômica mostra como essas relações se traduzem em formas e estruturas. Os fósseis acrescentam a dimensão do tempo, permitindo reconstruir acontecimentos muito anteriores ao surgimento das espécies atuais. Juntas, essas abordagens oferecem uma visão mais completa da história da vida.
Assim, acrescenta o professor, esses estudos também reforçam a importância da pesquisa básica e da construção de conhecimento a longo prazo. Os resultados que sua equipe publica hoje são fruto de décadas de coleta de material, manutenção de coleções científicas, formação de pesquisadores e colaboração entre instituições. “Cada estudo é uma parte de uma história maior e a ciência avança porque diferentes gerações constroem sobre o conhecimento produzido anteriormente.”
Em uma época em que grandes bancos de dados genéticos e novas tecnologias transformam a biologia, as pesquisas do laboratório do professor Almeida mostram que a observação cuidadosa dos organismos continua sendo uma ferramenta essencial para compreender a evolução. Com o exemplo de evolução e diversidade das abelhas, finaliza o professor, revela-se que a história da vida não está registrada apenas nos genes, mas também está escrita na anatomia — e “aprender a ler essa linguagem continua sendo fundamental para desvendar a biodiversidade do planeta”.
Os artigos estão publicados na Bulletin of the American Museum of Natural History: estudo com as abelhas-sem-ferrão e com todas as abelhas.
Mais informações: Eduardo Almeida, e-mail: eduardoalmeida@usp.br
*Estagiária sob orientação de Simone Gomes




