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Estudo amplia registros de ave ameaçada na Caatinga após 13 anos de monitoramento

Estudo amplia registros de ave ameaçada na Caatinga após 13 anos de monitoramento

Pesquisa do Cemafauna/Univasf analisou a ocorrência do arapaçu-do-nordeste em áreas monitoradas entre 2012 e 2025 e identificou 17 novos registros da espécie

Um estudo sobre a ocorrência do arapaçu-do-nordeste (Xiphocolaptes falcirostris) na Caatinga identificou 17 novos registros da espécie após 13 anos de monitoramento da avifauna no Nordeste. A pesquisa analisou dados coletados em expedições de campo realizadas entre 2012 e 2025 e buscou ampliar o conhecimento sobre a distribuição da ave, considerada associada a áreas de floresta seca bem conservadas.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), e publicado na revista científica internacional Check List. Ao todo, foram analisados registros obtidos durante 358 expedições realizadas em 39 unidades amostrais.

Para identificar as espécies presentes nas áreas monitoradas, os pesquisadores utilizaram diferentes métodos de levantamento da avifauna, incluindo contagem por pontos, transectos e redes de neblina. O arapaçu-do-nordeste foi encontrado em apenas quatro das 39 unidades analisadas. Em três delas, foram registrados novos locais de ocorrência da espécie.

Os resultados ajudam a preencher lacunas sobre a distribuição do arapaçu-do-nordeste e a identificar ambientes importantes para sua permanência. O acompanhamento por um período prolongado também permitiu reunir informações que poderiam não ser identificadas em levantamentos pontuais.

O estudo registrou ainda diferentes pressões nos ambientes onde a ave foi encontrada, entre elas retirada seletiva de madeira, produção ilegal de carvão, supressão da vegetação, uso do fogo e pecuária extensiva. As atividades alteram a vegetação e podem comprometer as condições necessárias para a permanência de espécies associadas a áreas mais conservadas.

“Esse trabalho reúne informações construídas ao longo de muitos anos de monitoramento e presença em campo. Quando registramos uma espécie como o arapaçu-do-nordeste em novas localidades, não estamos apenas adicionando pontos a um mapa de distribuição. Estamos produzindo informações que ajudam a compreender onde essa ave ainda ocorre, quais ambientes são importantes para sua permanência e quais pressões estão presentes nessas áreas. Esse conhecimento é fundamental para orientar novos estudos e subsidiar ações de conservação da espécie e da própria Caatinga”, destaca o pesquisador Paulo de Tarso Sambugaro Santos, primeiro autor do estudo.

Intitulado “Corroboration of and additional records of Xiphocolaptes falcirostris (Spix, 1824) (Passeriformes, Dendrocolaptidae) in northeastern Brazil”, o artigo está disponível em acesso aberto na revista Check List.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna/Univasf)