Espuma de carnaval faz mal? O que os pais precisam saber antes de usar com crianças
Pediatras revelam os riscos do uso de spray de espuma durante a folia. Confira as recomendações!
Com a proximidade do Carnaval, as famílias já começam a preparar suas fantasias, glitter e acessórios para curtir a festa! Mas fique atento! No caso dos foliões mirins, é preciso ter cuidado com alguns itens considerados perigosos. Um deles é a tradicional espuma de Carnaval.
Jogar espuma nas pessoas parece uma brincadeira inocente e atrativa para os pequenos. Mas, é importante ressaltar que o produto não foi pensado para o uso infantil. A exposição a esse tipo de conteúdo químico pode levar à conjuntivite, problemas respiratórios e até mesmo queimaduras.
Para te ajudar a curtir o Carnaval em segurança com os pequenos, conversamos com as especialistas Tatiana Cicerelli Marchini, pediatra e neonatologista, e Juliane Carvalho, pediatra da Doctoralia. As médicas deram dicas importantes sobre o uso de espumas durante a folia.
Qual é a composição das espumas?
Em geral, esse produto costuma conter:
- Agentes espumantes, como o lauril sulfato de sódio;
- Fragrâncias sintéticas;
- Conservantes (como parabenos ou liberadores de formaldeído);
- Gases propelentes, que permitem que o produto saia da embalagem em forma de spray;
Embora sejam substâncias comuns na indústria química, elas podem causar irritação ao entrar em contato com a pele e olhos ou mesmo quando são inaladas.
As espumas oferecem mais riscos às crianças?
Se seu filho te pediu um spray de espuma e você ficou receosa(o), saiba que isso não é exagero. Realmente, essa substância é mais agressiva para a criança. Como possuem a pele mais fina e em processo de maturação, os pequenos acabam absorvendo esses componentes com mais facilidade.
Após o uso de espumas, é possível notar sinais como:
- Vermelhidão;
- Coceira;
- Ardor;
- Quadros de dermatite (especialmente em crianças com pele sensível ou dermatite atópica)
- Queimaduras químicas superficiais — principalmente em áreas de dobras ou após exposição prolongada;
- Irritação das vias aéreas. Em pacientes asmáticos, pode levar à inflamação aguda do pulmão.
O que fazer quando a espuma atinge os olhos?
Nesse caso, é essencial realizar a lavagem imediata com água corrente ou soro fisiológico. É importante também não deixar a criança esfregar o olho e sem hidratação.
Se a situação for grave, não hesite em ligar para o serviço de emergência. O contato da espuma com os olhos é extremamente perigoso. Afinal, os agentes químicos podem causar irritação intensa, ardor significativo, lacrimejamento, vermelhidão, conjuntivite química e lesões na córnea.
O que acontece se meu filho inalar espuma?
A inalação da espuma também representa um risco preocupante. “Como se trata de um aerossol, parte do produto acaba sendo respirada pela criança. Isso pode irritar as vias aéreas e desencadear tosse, chiado e crises respiratórias, principalmente em crianças com asma, bronquite ou rinite alérgica”, explica Tatiana.
A situação se torna ainda pior no caso de bebês e crianças pequenas, que estão mais vulneráveis, pois levam as mãos ao rosto o tempo todo e podem acabar inalando ou ingerindo o produto sem perceber.
Ao inalar o produto, os pequenos também podem ter crises asmáticas e apresentar quadros de distúrbios gastrointestinais, vômitos, sonolência e até desmaio.
A espuma pode causar queimadura?
Sim! Algumas das espumas são inflamáveis e podem transformar um passeio divertido em uma tragédia. “Se a criança está ali em uma área de fogo com o produto no corpo e a churrasqueira está ligada, pode sofrer queimaduras porque a espuma é inflamável”, explica Juliane.
Os riscos do uso da espuma de Carnaval?
Para a pediatra Tatiana, não existe uma forma totalmente segura de usar espuma de carnaval em crianças pequenas. “Mesmo usando pouca quantidade e evitando o rosto, o risco não é zero. Por isso, como pediatra, a orientação mais segura é evitar o uso, especialmente em bebês e menores de três anos, e também em crianças com histórico de alergias ou doenças respiratórias”.
Mas isso não significa abdicar da diversão! “Fantasias, confetes e serpentinas de papel, brincadeiras com água e tintas corporais próprias para uso infantil, dermatologicamente testadas, são alternativas muito mais seguras”, aconselha a médica.
Caso os pais ainda assim optem pelo uso, é preciso estar atento a essas medidas de proteção:
- Evite o rosto
- Use pouca quantidade
- Brinque em ambientes abertos
- Lave bem a pele após a brincadeira
Juliane ainda acrescenta que as crianças nunca devem utilizar a espuma sem a supervisão de um adulto. “Justamente para não ter aquela criança jogando a espuma no olho, na boca e no rosto de outra pessoa, principalmente de outras crianças”, ela enfatiza.
No entanto, para Tatiana, o melhor realmente é evitar esse tipo de produto. “A opção mais segura é substituir a espuma por alternativas como confetes de papel, fantasias, brincadeiras com água e tintas corporais próprias para uso infantil”, reforçou.
