Especialistas revelam os três alimentos indicados para pacientes com demência
Alimentos podem retardar avanço da doença e até prevenir risco de seu desenvolvimento
O Relatório Nacional sobre Demência, divulgado em 2024, estimou que cerca de 8,5% da população idosa — com 60 anos ou mais — brasileira convive com a doença, o que significa quase dois milhões de casos.
Há muitas maneiras de se prevenir contra o desenvolvimento da doença: seja por meio de exercícios, tanto físicos quanto mentais, limitar o estresse e não fumar.
Uma das principais delas é a alimentação. Em entrevista ao jornal Huffington Post, especialistas revelaram as comidas que indicam para seus pacientes.
Vegetais verdes
Todo mundo sabe, mas nunca custa lembrar: um dos melhores alimentos são os vegetais verdes, como espinafre, couve, rúcula, alface romana, couve-galega. Todos eles promovem a saúde do cérebro por conta de seus nutrientes e proteínas: “São ricos em nutrientes que parecem beneficiar o cérebro, incluindo folato, vitamina E, vitamina K, luteína e compostos vegetais anti-inflamatórios”, diz Dung Trinh, diretor médico da Healthy Brain Clinic em Irvine, Califórnia.
“Minha resposta é entediante, mas vou mantê-la mesmo assim: vegetais folhosos verdes”, afirma Jordan Weiss, Professor da Universidade de Nova Iorque: “Os vegetais verdes contém folato, vitamina K1, luteína e nitrato. Cada um deles desempenha uma função benéfica para o cérebro em processo de envelhecimento”.
O consumo ideal, segundo ambos, é de uma porção por dia: seja em forma de salada, meia xícara de verduras cozidas, ou um punhado generoso em um smoothie, omelete ou sopa.
Peixes gordurosos
O segundo alimento mais recomendado por especialistas são os peixes com alto teor de gordura, especialmente salmão, cavala ou sardinha.
Eleni Nicolau, doutora em psicologia clínica explica: o cérebro é 60% gordura, em sua maioria composto por uma ômega-3 chamada DHA. O nosso cérebro utiliza esse DHA para construir e reparar neurônios.
Com baixos níveis de DHA, a comunicação do cérebro desacelera. E onde estão grandes quantidades desse tipo de ácido graxo? Em peixes!
Estudos mostram que maiores níveis de ômega-3 no sangue indicam uma melhor estrutura cerebral e performance cognitiva. Outro estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition descobriu que a suplementação de ômega-3 a longo prazo estava associada a uma redução de 64% no risco de Alzheimer em participantes acompanhados por seis anos.
Ela recomenda entre duas e três porções por semana, ou seja, entre 200 e 450 gramas por semana.
Mirtilo
Talvez a indicação mais diferentona, estudos mostram que os mirtilos conseguem proteger as células do cérebro de danos, assim como melhorar a comunicação entre os neurônios e retardar o envelhecimento.
Christopher Missling, neurocientista especializado em Alzheimer, diz: “Entendo que os mirtilos são o alimento mais consistentemente associado a um envelhecimento cerebral mais saudável, pois seus altos níveis de antocianinas e outros antioxidantes ajudam a reduzir a inflamação e o estresse oxidativo, dois dos principais fatores que contribuem para o declínio cognitivo”.
Segundo ele, a maioria dos estudos recomenda o consumo de meia a uma xícara por dia, mas alguns demonstraram benefícios com apenas uma porção por semana.
