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Eleições 2026: Entre o retrocesso e a urgência climática, IDS lança ferramentas para o voto e as políticas públicas

Eleições 2026: Entre o retrocesso e a urgência climática, IDS lança ferramentas para o voto e as políticas públicas

O Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) lançou duas iniciativas cruciais para as eleições de 2026: a Bússola 2026, que guia planos de governo socioambientais, e o Farol Verde, plataforma que revela que o Congresso votou contra o meio ambiente em 70% das pautas. Juntas, as ferramentas orientam o voto consciente e cobram compromissos do novo ciclo político.

A emergência climática deixou de ser uma pauta exclusivamente ambiental para se consolidar como o maior desafio transversal de governabilidade, economia e saúde pública do nosso tempo. Contudo, enquanto os eventos climáticos extremos se intensificam, as decisões políticas em Brasília caminham, majoritariamente, na direção oposta. É diante desse cenário desafiador que o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) apresenta duas iniciativas fundamentais para as eleições deste ano: o Farol Verde e a Bússola 2026.

Juntas, essas ferramentas oferecem à sociedade civil, à imprensa e aos eleitores um diagnóstico claro sobre o comportamento do atual Poder Legislativo e um roteiro estratégico para cobrar compromissos reais das candidaturas que disputam o ciclo político de 2027 a 2030.

O Diagnóstico: O meio ambiente derrotado no Congresso

O primeiro passo para transformar a política socioambiental é a transparência. Lançada em 21 de setembro, a plataforma Farol Verde expõe uma realidade alarmante: o meio ambiente foi derrotado em 70% das votações nominais da agenda ambiental realizadas pelo Congresso Nacional na atual legislatura (janeiro de 2023 a julho de 2026).

A ferramenta, que contou com o apoio técnico do GT Congresso do Observatório do Clima, mede o Índice de Convergência Ambiental (ICAt) de deputados e senadores. O balanço das 66 votações analisadas (44 na Câmara e 22 no Senado) revela 46 derrotas contra apenas 20 vitórias da sustentabilidade. Nos vetos presidenciais, o cenário foi ainda mais grave, com 83% de derrotas. O ICAt médio, que vai de 0 a 100, refletiu esse distanciamento: ficou em apenas 46,5 na Câmara e 31,2 no Senado.

A análise detalhada do Farol Verde também evidencia recortes importantes:

  • Partidos: REDE, PSOL e PCdoB lideram a convergência ambiental na Câmara (ICAt superior a 90), enquanto PT e PDT lideram no Senado. Na outra ponta, NOVO, PL e União Brasil figuram entre os piores desempenhos.
  • Demografia e Geografia: As mulheres apresentam maior alinhamento à pauta verde do que os homens em ambas as Casas. Regionalmente, o Nordeste lidera a convergência, enquanto o Centro-Oeste amarga os piores índices. Preocupante, parlamentares da Amazônia Legal votam de forma menos favorável à agenda ambiental (ICAt 38,8) do que a média do restante do país (46,3).

Como alerta Carolina Mattar, diretora-executiva do IDS:

O sentimento crescente de aversão à política … e a sensação de perda de legitimidade das instituições públicas estão diretamente ligados às decisões que o Congresso tem tomado, muitas delas contrárias ao interesse público. Por isso, é fundamental mostrar como cada representante eleito atua em assuntos que são de interesse direto da população.

Carolina Mattar

O Caminho: Bússola 2026 e a centralidade climática

Se o Farol Verde revela o déficit ambiental do atual Congresso, o projeto Bússola 2026, lançado pelo IDS no início de setembro no espaço cultural Canto (SP), apresenta a rota de correção. O projeto pretende colocar a agenda socioambiental no centro do debate eleitoral, subsidiando planos de governo de Executivos estaduais e federal, bem como mandatos legislativos.

O evento de lançamento reuniu um grupo plural para desenhar esse futuro, incluindo a psicóloga e pesquisadora Cida Bento (referência no combate ao racismo estrutural), o biólogo e especialista em mudanças climáticas Marcos Buckeridge (USP), a antropóloga e liderança indígena Naia Vitória Kariri, além de autoridades como o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.

O consenso do encontro foi claro: as respostas à crise socioambiental exigem interseccionalidade. Não há justiça climática sem enfrentamento ao racismo ambiental e sem o protagonismo dos povos originários e comunidades tradicionais. Embora o período de 2023 a 2026 tenha sido marcado pela reconstrução institucional e reabertura da participação social, o Brasil precisa agora de compromissos de longo prazo e blindagem contra os retrocessos legislativos apontados pelo Farol Verde.

Diretrizes para um novo ciclo político (2027-2030)

Unindo o diagnóstico do Congresso atual às necessidades urgentes do futuro, a Bússola 2026 estabelece diretrizes inegociáveis para que eleitores cobrem os candidatos aos governos estaduais, Presidência, Senado e Câmaras:

  1. Transição Ecológica e Descarbonização: Metas ousadas para a neutralidade de carbono, transição energética justa e estímulo real à economia de baixo carbono.
  2. Adaptação e Resiliência das Cidades: Políticas estruturais de prevenção a desastres climáticos, focando em populações vulneráveis e infraestrutura verde, combatendo as desigualdades históricas escancaradas pelo racismo ambiental.
  3. Proteção dos Biomas e Desmatamento Zero: Esforço contínuo no combate a ilícitos ambientais, proteção de unidades de conservação e demarcação de terras indígenas e quilombolas.
  4. Governança e Participação Social: Fomento à transparência — algo que o Farol Verde busca suprir — e garantia da presença da sociedade civil na destinação de orçamentos e formulação de políticas.

Com o Farol Verde, o eleitor pode olhar para o passado recente e avaliar quem trabalhou contra ou a favor do meio ambiente. Com a Bússola 2026, ganha um roteiro de sabatina para exigir compromissos futuros. A democracia e a sustentabilidade precisam caminhar juntas, e as eleições deste ano são a janela de oportunidade decisiva para garantir um futuro habitável e justo no Brasil.

Para acessar o relatório completo e conferir o voto de cada parlamentar, visite: viradaparlamentar.org.br/farol-verde.