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Copernicus: 2025 foi 3ºano mais quente já registrado no mundo, que completa três anos consecutivos acima de 1,5°C

Copernicus: 2025 foi 3ºano mais quente já registrado no mundo, que completa três anos consecutivos acima de 1,5°C

Cientistas afirmam que planeta está entrando definitivamente em nova era de temperatura, com aumento na frequência de eventos extremos do clima

O ano de 2025 terminou como o terceiro mais quente já monitorado, fechando uma trinca de anos em que a humanidade passou a conviver oficialmente com uma nova realidade do clima, afirmaram cientistas do observatório espacial europeu, Copernicus, em entrevista a jornalistas acompanhada por Um Só Planeta.

Considerando-se os últimos três anos, a média de aquecimento da Terra esteve 1,52°C acima do período pré-industrial (1850-1900), usado como referência por oferecer registros climáticos anteriores à adoção da queima massiva de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, que poluem a atmosfera e aprisionam radiação solar no planeta, impedindo sua dispersão no espaço.

O “campeão” do calor segue sendo 2024, mas a diferença de média de temperatura para o segundo colocado, 2023, e o terceiro, 2025, é mínima, segundo dados de monitoramento por satélite e também em estações da agência em terra, aviões e navios. O último ano foi apenas 0,01°C mais frio em relação a 2023, e 0,13°C em relação a 2024.

Nos polos, a Antártida teve seu ano mais quente já computado, enquanto no Ártico, foi o segundo. Em fevereiro de 2025, a cobertura combinada de gelo marinho (água do mar congelada, o que não contabiliza gelo em terra) de ambos os polos caiu para o seu valor mais baixo desde o início das observações por satélite no final da década de 1970, afirma o Copernicus.

“Esses três anos se destacam de todos que vieram antes. Em algum ponto, todos os meses do calendário bateram seus recordes, sendo janeiro de 2025 o mais quente já registrado”, afirmou Samantha Burgess, chefe estratégica de clima do ECMWF, serviço meteorológico de análises do programa espacial europeu.

Burgess afirma ainda que 2026 mal começou e já promete ser mais um ano de temperaturas acima de 1,4°C. A especialisa acredita que 2026 não deve bater o ano de 2024, mas pode ficar perto de 2023 e 2025. Seguindo o padrão atual, devemos ultrapassar a barreira de 1,5°C no final da década, afirma.

Segundo a pesquisadora, no ano passado, assim como em 2024, 91% do globo teve temperaturas acima do esperado em algum momento. 2025 foi ainda o ano de La Niña mais quente já registrado. O fenômeno natural, conhecido por resfriar as águas do Oceano Pacífico, costuma colaborar para temperaturas mais amenas, ao contrário de seu oposto, El Niño, que acirra o calor. “A evolução das temperaturas no oceano estará diretamente ligada ao comportamento dos niños”, salientou Burgess.

Em 2025, de acordo com o monitoramento europeu, a temperatura média do ar na superfície do planeta esteve 1,47°C acima do nível pré-industrial, após alcançar a marca de 1,6°C em 2024, o ano mais quente já registrado.

Gráfico do Copernicus mostra incidência de temperaturas acima da média (vermelho) e abaixo da média (azul) durante os últimos três anos. — Foto: ECMWF/Copernicus
Gráfico do Copernicus mostra incidência de temperaturas acima da média (vermelho) e abaixo da média (azul) durante os últimos três anos. — Foto: ECMWF/Copernicus

Em nota, a agência destaca que o ritmo do aumento da temperatura mundial está acelerado em relação a previsões anteriores.

“Utilizando diversos métodos, estima-se que o nível atual de aquecimento global a longo prazo esteja em torno de 1,4°C acima do nível pré-industrial. Com base na taxa atual de aquecimento, o limite de 1,5°C para o aquecimento global a longo prazo estabelecido pelo Acordo de Paris poderá ser atingido até o final desta década – mais de uma década antes do previsto com base na taxa de aquecimento na época da assinatura do acordo.”

Um inverno rigoroso na Europa alimenta questionamentos sobre o aquecimento da temperatura no planeta, observaram os cientistas durante entrevista. Ainda assim, olhar para as médias anuais é uma forma inequívoca de constatar que o calor vem aumentando, observou Carlo Buontempo, chefe do C3S, divisão dedicada à mudança climática na agência.

“Estamos entrando numa fase de administrar o mundo acima de 1,5°C, e podemos escolher como fazer isso”, alertou o cientista.

O ano de 2025 foi marcado por eventos extremos ​​em diversas regiões, incluindo ondas de calor recordes, tempestades severas na Europa, Ásia e América do Norte, e incêndios florestais na Espanha, Canadá e sul da Califórnia. Em 2024, o Brasil sentiu de perto o aumento de incêndios florestais, com recordes sendo batidos. O saldo negativo se acumula: incêndios florestais, enchentes, secas e tempestades causaram 17,2 mil mortes e US$ 224 bilhões em perdas econômicas em 2025, aponta um relatório da seguradora Munich Re.

Os últimos três anos, de 2023 a 2025, foram excepcionalmente quentes por dois motivos principais, apontou nota do observatório espacial. O primeiro é o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, resultante das emissões contínuas por atividades humanas e da menor absorção de dióxido de carbono (CO2) pelos sumidouros naturais, como florestas e manguezais.

Em segundo lugar, as temperaturas da superfície do mar atingiram níveis excepcionalmente altos em todo os oceanos, associadas a um evento El Niño (entre 2023 e 2024) e a outros fatores de variabilidade oceânica, amplificados pelas mudanças climáticas. Outros fatores considerados pelos cientistas incluem ainda alterações na quantidade de aerossóis e de nuvens baixas, além de variações na circulação atmosférica.